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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Hospital de Loures avança com consultas de obstetrícia realizadas só por enfermeiros

Solução "permite que os médicos obstetras se dediquem a situações de maior complexidade, adiantou a ULS.

01 de outubro de 2025 às 18:38

O Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, iniciou esta quarta-feira uma nova consulta de acompanhamento para grávidas de baixo risco que é realizada totalmente por enfermeiros especialistas para reduzir os tempos de espera.

As consultas são realizadas integralmente por Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstétrica (EESMO), sem a presença de médicos, e com esta reorganização dos cuidados, a Unidade de Saúde Local (ULS) de Loures-Odivelas quer continuar a "garantir um acompanhamento próximo e seguro às grávidas".

Esta solução "permite que os médicos obstetras se dediquem a situações de maior complexidade, reduzindo tempos de espera num período em que a procura pelos serviços de obstetrícia tem vindo a aumentar", adiantou a ULS Loures-Odivelas em comunicado.

O projeto, de acordo com a enfermeira diretora da ULS, Sandra Cota-Pereira, é "um marco importante para a enfermagem em obstetrícia, que cumpre assim o âmbito da sua competência e assegura o melhor acesso às grávidas".

"Os enfermeiros acompanham a gravidez de baixo risco até ao agendamento do parto, à semelhança do que esta ULS já proporciona também no Espaço Saúde da Mulher e da Criança, nos cuidados de saúde primários", adianta a enfermeira citada no comunicado.

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, referiu em 23 de setembro no parlamento que o Governo estava aberto a avaliar uma proposta da Ordem dos Enfermeiros que visava precisamente "garantir a vigilância das grávidas de baixo risco pelos enfermeiros especialistas em cuidados de saúde materna e obstetrícia para as mulheres sem médico de família".

A ministra afirmou, durante uma audição da Comissão de Saúde, que "as grávidas não podem estar sem vigilância" e que "os enfermeiros especialistas têm uma importância fundamental na saúde materna e obstétrica e isso já é uma realidade em muitos países".

Ana Paula Martins defendeu, na ocasião, que não existia nenhuma razão "para que não seja também o modelo em Portugal".

Contudo, a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) pediu, um dia após as declarações da ministra da Saúde, para que a proposta fosse revista e que uma eventual concretização desta abordagem "não constitui uma verdadeira solução".

A associação, em comunicado, argumentava que a excelência dos cuidados durante a gravidez só pode ser alcançada através de um trabalho multidisciplinar e integrado, onde cada profissional contribui com as suas competências específicas.

"Médicos não substituem enfermeiros e enfermeiros não substituem médicos. Cada profissão tem o seu valor único e insubstituível", considera a associação, acrescentando: "O desafio que se coloca é encontrar formas de potenciar essa complementaridade em benefício da saúde de todas as mulheres e crianças portuguesas".

Com o começo destas novas consultas conduzidas integralmente por enfermeiros especialistas, a ULS Loures-Odivelas conta reforçar "o compromisso de colocar os recursos certos ao serviço das pessoas certas, no momento certo, garantindo qualidade, segurança e acessibilidade no acompanhamento da gravidez".

A ULS salientou também o trabalho destes enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica, que são "reconhecidos pela sua elevada qualificação científica e técnica, resultante de uma formação especializada com exigência europeia", reforçando que estes profissionais "têm vindo a afirmar-se como referência na assistência à mulher, ao recém-nascido e à família".

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