Investigadores do Instituto Universitário de Ciências da Saúde revelam que bactéria está associada a infeções hospitalares, defendendo a "necessidade urgente" de uma vigilância integrada.
Investigadores do Instituto Universitário de Ciências da Saúde (IUCS) concluíram que as explorações intensivas de gado do Norte podem ser reservatórios de uma bactéria resistente, associada a infeções hospitalares, defendendo a "necessidade urgente" de uma vigilância integrada.
Os resultados do estudo, que vai ser apresentado esta quinta-feira num congresso internacional no Porto, mostram "a necessidade urgente de uma vigilância no âmbito da abordagem One Health dos enterococos [a bactéria estudada], clinicamente relevantes no gado, especialmente em sistemas de produção intensiva", observou a investigadora Ana Raquel Freitas, do IUCS da Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (CESPU), em declarações à Lusa.
A professora explicou que a abordagem One Health (uma só saúde, em português) defende que a saúde humana está intimamente ligada à saúde animal e ambiental, pelo que a vigilância deve ter isso em conta.
O controlo "neste tipo de ambientes de produção" não inclui obrigatoriamente a pesquisa por bactérias resistentes a antibióticos, nomeadamente a que agora foi estudada pelo instituto da CESPU, com sede em Gandra, Paredes, no distrito do Porto, referiu a investigadora.
Na investigação, a equipa analisou as fezes das vacas e todo o ambiente da exploração, tendo encontrado a bactéria "nas máquinas, nos robôs do leite, nas botas do explorador, do veterinário, no intestino dos veterinários, dos tratadores, do dono da exploração, etc", observou Ana Raquel Freitas.
"O uso de antibióticos neste tipo de produção intensiva de animais está muito mais apertado, mas ainda são usados antibióticos nos animais doentes. E as bactérias já estão instaladas, já estão lá. Conseguem persistir, manterem-se ao longo de gerações e ao longo das cadeias. Isto não vai desaparecer nunca. Portanto, a vigilância tem que ser apertada", vincou.
O estudo centrou-se na bactéria 'Entorococcus' e encontrou também "variantes com resistência a antibióticos considerados críticos, como a linezolida", um antibiótico "muito importante para tratar infeções humanas, de última linha".
"Esta é uma bactéria que existe no nosso intestino. É uma bactéria que faz parte do nosso trato gastrointestinal, do homem e dos animais, e que nos faz falta, até nos faz bem. No entanto, é também uma bactéria oportunista, ou seja, que pode causar infeções em determinados contextos, nomeadamente pacientes hospitalizados, pacientes com imunodepressão ou doenças", afirmou Ana Raquel Freitas.
A origem da bactéria é desconhecida, notou.
"Como é que elas vão parar aqui aos bovinos? Não sabemos. O circuito, até pode ser de origem humana. Até podem vir na ração ou do ambiente. O importante aqui é o risco inerente, quer por contacto direto com os tratadores, os veterinários, com o animal, quer pela cadeia alimentar, porque nós comemos esta carne e bebemos o leite", observou.
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