Em 2025, foram transfundidos no IPO do Porto 2.427 doentes, num total de 7.294 transfusões de eritrócitos e 4.834 transfusões de plaquetas.
O Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto tem vindo a registar uma "tendência de diminuição anual" de dadores de sangue com quebras que podem atingir os 5% ao ano, disse esta sexta-feira a responsável do serviço de Imuno-hemoterapia.
Em declarações à agência Lusa, por ocasião do Dia Nacional do Dador de Sangue que se assinala esta sexta-feira, Maria Rosales disse que, desde a pandemia, "se tem verificado uma tendência de diminuição" todos os anos com "quebras de 'stock' e nas reservas".
"Felizmente, em eritrócitos não chegamos a esse ponto [recurso às reservas do Instituto Português do Sangue e da Transplantação]. Nesse aspeto, vamos sendo autossuficientes. Mas, em termos de plaquetas, que têm uma vida bastante reduzida, temos que gerir diariamente e, às vezes, sim, temos que recorrer ao instituto para colmatar em momentos pontuais esta falta", descreveu.
Em 2025, foram transfundidos no IPO do Porto 2.427 doentes, num total de 7.294 transfusões de eritrócitos e 4.834 transfusões de plaquetas.
De acordo com dados enviado à Lusa por este hospital oncológico, no ano passado o IPO do Porto registou um total de 8.603 dádivas de sangue.
Nesse período, foram ainda registados 1.385 novos dadores, dos quais 690 concretizaram a sua primeira dádiva efetiva na instituição.
No que diz respeito ao perfil etário, 949 dos dadores inscritos pertenciam à faixa entre os 18 e os 24 anos.
"Este grupo constitui uma prioridade estratégica para o IPO do Porto, tendo em conta a sua localização num polo universitário e a importância de promover a iniciação precoce à dádiva, bem como a fidelização destes jovens dadores", lê-se na informação enviada à Lusa.
Reforçando esta mensagem, a diretora do serviço de Imuno-hemoterapia do IPO do Porto contou que vai ser lançada esta sexta-feira uma campanha desenvolvida em parceria com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) que visa aumentar e fidelizar o número de dadores de sangue entre os 18 e os 40 anos.
"O nosso objetivo é angariar dadores saudáveis jovens. A idade para poder doar sangue foi ampliada até aos 70 anos, caso a pessoa mantenha condições de saúde favoráveis, mas consideramos importante focar nos jovens, porque são os dadores do futuro", referiu Maria Rosales.
A responsável contou que o mote da campanha -- "Tu és o tipo de alguém" -- procura estabelecer uma associação simbólica entre a dádiva de sangue e as aplicações de encontros e mostra que dar sangue é também um gesto de amor e altruísmo.
"Também tentaremos ultrapassar mitos e tabus e a ideia de que a dádiva de sangue é um processo longo e doloroso, o que não é verdade", acrescentou.
Citado no comunicado enviado à Lusa, o coordenador da campanha e docente da UTAD, Fábio Ribeiro, destacou "a experiência prática relacionada com a dádiva de sangue", considerando "cada vez mais decisivo para as universidades o desenvolvimento de competências em diálogo com instituições externas à sua missão académica, científica e pedagógica".
A campanha arranca esta sexta-feira e prolonga-se durante um ano, com diferentes iniciativas.
Está prevista a divulgação de conteúdos explicativos sobre o processo, bem como o jogo "Verdade ou Consequência", concebido como ferramenta informativa para garantir o acesso à informação médica precisa e cientificamente validada.
Uma das principais preocupações identificadas entre os jovens, pelos estudantes da UTAD, está relacionada com o receio de agulhas.
Para ultrapassar este fator inibidor, a campanha inclui sugestões para o momento da colheita, como a ingestão adequada de água e a disponibilização de uma 'playlist' no 'Spotify' com cerca de 10 minutos, o tempo médio da colheita, para ajudar os mais ansiosos a relaxar.
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