Resposta ao anúncio da Proteção Civil em abrir um processo de averiguações à 'task-force' de ambulâncias para socorro pré-hospitalar por considerar a operação ilegal.
O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) rejeitou este domingo que a 'task-force' de ambulâncias, para reforço do apoio, seja 'ilegal' e lamentou as declarações da Proteção Civil, que disse hoje ir abrir um processo de averiguações à operação.
Em declarações à Lusa, António Nunes disse que lamentava "que se façam declarações sem se sentarem à mesa e conversar" com a liga, para "saber o se passa", acrescentando que "se no final disso houver dúvidas e tiver havido alguma situação que mereça ser esclarecida ou averiguada num processo formal, faça-se", que "não tem problema nenhum".
Considerando que a situação "não é razoável", o presidente da LBP disse que "parece que se quer dizer que um movimento de comandantes - que o fazem todos os dias, mas que resolveram juntar-se para salvar vidas -, agora esteja a ser marginal". "São palavras que não ficam bem, parece-me, num sistema que procura salvar vidas. Aquilo que nós temos de ter em consciência é que a semana passada foi dramática", destacou.
A Proteção Civil vai abrir um processo de averiguações à 'task-force' de ambulâncias para socorro pré-hospitalar por considerar a operação ilegal e ter sido "marginalmente criada", revelou hoje aquele organismo.
Numa resposta enviada à Lusa, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) avança que vai abrir um processo de averiguações, que terá "em consideração vários fatores, nomeadamente o facto de a operação marginalmente criada estar sob o comando de um elemento do quadro de honra, o que legalmente não é permitido". António Nunes realçou que se fosse ilegal "então também não se abririam as portas à comunicação social". "A comunicação social ainda ontem esteve na sede da Liga. Então, é ilegal, é marginal e está à porta aberta? Não me parece que sejam palavras razoáveis", disse.
Segundo o presidente, a Liga "não organizou nada, não nomeou comandante nenhum" e que "isso tudo não passa de ilusões". Sobre as críticas da Proteção Civil, António Nunes disse que "o que aconteceu foi que há um elemento do quadro de honra que por acaso é funcionário da Liga, que por acaso é o operador que liga os computadores e desliga os computadores, e que apareceu a dizer umas palavras", mas "que isso é completamente alheio a esta situação".
António Nunes explicou que o movimento para a criação da 'task-force' partiu de um "conjunto de comandantes preocupados, bombeiros voluntários preocupados, que na sexta-feira perguntaram se não se deveria constituir um conjunto de ambulâncias" durante o fim de semana, tendo em conta a situação atual. A LBP, explicou, abriu as suas portas à operação, que já conta com oito ambulâncias, face às quatro inicialmente previstas, funcionando como espaço para estas ambulâncias.
"A operação é tão ilegal, tão ilegal, como todos os dias. A única alteração que houve em relação ao dia a dia é que estas ambulâncias, que estão nos vários corpos de bombeiros,neste sábado e domingo, das oito da manhã às oito da noite, juntaram-se num local. É a única alteração", disse. "Mas mais, se fosse tão ilegal, o INEM ontem [sábado] não tinha acionado sete vezes sete ambulâncias", destacou.
A Proteção Civil considera que o reforço de ambulâncias "parece violar os princípios e os pressupostos do sistema integrado de proteção e socorro, bem como as competências da ANEPC", salientando que se afigura "como um sistema paralelo, sem qualquer enquadramento legal". "O presente dispositivo, pelo que se conhece das redes sociais, concentra na LBP ambulâncias na mesma área de intervenção (Grande Lisboa), não se percecionando a mais-valia desta medida, uma vez que os meios em causa já deveriam de ser disponibilizados em situações normais", precisa a ANEPC, acrescentando que "esta medida aparenta ser uma deturpação do sistema".
O reforço de ambulâncias surge após, nos últimos dias, três pessoas terem morrido por alegado atraso no socorro, por falta de ambulâncias ou por estas estarem retidas devido à utilização das suas macas nos hospitais.
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