Governante diz que cabos enterrados diminuem a probabilidade de falhas e a duração das interrupções quando estas ocorrem.
A Madeira tem 70% das linhas de alta e média tensão enterradas, tendo sido feito investimentos para reduzir a exposição da rede a intempéries, disse esta quarta-feira o secretário regional das Infraestruturas e Equipamentos.
"Um dos pilares dessa estratégia de mitigação de riscos tem sido o investimento contínuo na rede subterrânea e, atualmente, a Madeira tem mais de 70% das suas linhas de alta e média tensão enterradas, um valor comparável ao que sucede nos países mais desenvolvidos, quando a média nacional de cabos enterrados é de apenas 20%", declarou Pedro Rodrigues no plenário da Assembleia Legislativa da Madeira, no Funchal.
O governante falava na apresentação da proposta de decreto legislativo regional que estabelece o regime jurídico aplicável ao autoconsumo de energia renovável na Região Autónoma da Madeira, para adaptar legislação nacional de 2022 ao arquipélago.
O responsável destacou que a elevada percentagem de cabos enterrados na região vem reduzir "significativamente a exposição da rede a intempéries, deslizamentos e ventos fortes, diminuindo a probabilidade de falhas e a duração das interrupções quando estas ocorrem".
"Estes dados confirmam que a resiliência do sistema elétrico regional é mensurável, objetiva e sustentada", reforçou.
Segundo Pedro Rodrigues, a proposta legislativa agora em discussão visa dotar a Madeira de um regime de autoconsumo "mais claro, juridicamente mais robusto e melhor ajustado às especificidades do seu sistema elétrico, assegurando simultaneamente segurança jurídica, previsibilidade para os investidores e salvaguarda do interesse público".
No debate, o Juntos Pelo Povo (JPP), o maior partido da oposição (ocupa 11 dos 47 lugares no hemiciclo), destacou o problema da falta de apoio às famílias nesta matéria, salientando que o executivo madeirense alocou apenas 50 mil euros no Orçamento Regional para 2026 para esse fim.
"Ainda estamos muito longe dos 55% da meta das energias renováveis", disse o deputado do JPP Luís Martins, considerando tratar-se de um apoio "manifestamente insuficiente".
Além disso, acrescentou, é também necessário "simplificar a operacionalização".
Pelo PS, Gonçalo Leite Velho considerou que o diploma "chega bastante atrasado" porque é a adaptação de um regime "do tempo do Governo de António Costa", o que evidencia que a Madeira "está a arrastar os pés" porque investiu 54 milhões de euros no "falhanço monumental" da fábrica das algas no Porto Santo que poderiam ter sido aproveitados nas energias renováveis.
Já o líder parlamentar do Chega, Miguel Castro, considerou que a Madeira continua dependente de energias fósseis e, por isso, qualquer instabilidade externa acaba refletida nas faturas das famílias madeirenses.
"O diploma tem aspetos positivos", admitiu, salientando, contudo, que "há questões que têm de ser melhoradas para a transição energética ser feita com justiça".
Por seu turno, o deputado único da IL, Gonçalo Maia Camelo, corroborou que a adaptação legislativa acontece "com quatro anos de atraso", mas que o diploma em discussão apresenta vários "méritos", embora seja excessivamente burocrático.
No início dos trabalhos parlamentares, o deputado do Chega Miguel Castro voltou a criticar o discurso "irresponsável e injusto" do líder parlamentar do PSD na Assembleia da República, Hugo Soares, na sessão sobre o subsídio social de mobilidade, no dia 18.
Na semana passada, o Chega/Madeira já tinha apresentado um voto de protesto na Assembleia Legislativa regional pelas declarações do líder parlamentar do PSD na Assembleia da República.
No debate no parlamento nacional, Hugo Soares afirmou que "nunca houve Governo tão amigo das regiões autónomas como o Governo da AD", sublinhando que os madeirenses e os açorianos pagam agora menos para se deslocar ao continente devido ao novo modelo do subsídio de mobilidade, com regras "mais transparentes e mais honestas".
Hugo Soares alertou, no entanto, para a importância de terem a situação contributiva regularizada.
"Perguntemos também aos cidadãos do meu país, daqueles que vivem no continente e dos que vivem na Madeira muitos deles: É justo que os vossos, os nossos, os impostos dos portugueses que trabalham possam continuar a subsidiar a viagem de pessoas da Madeira e dos Açores para o continente que não asseguram o cumprimento das dívidas fiscais com o Estado", questionou.
Hugo Soares disse, por outro lado, que não é exigida nenhuma declaração de não dívida aos residentes nas regiões autónomas, explicando ser o próprio Estado que verifica a situação a contributiva.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.