Vereador estima que "mais duas semanas" e o município conseguirá "chegar à totalidade de todas as áreas" afetadas.
Mais de 190 quilómetros de caminhos florestais que ficaram obstruídos no concelho de Leiria devido à depressão Kristin, em 28 de janeiro, já estão limpos, revelou, esta terça-feira, à Lusa o vereador Luís Lopes.
Segundo Luís Lopes, dos 450,89 quilómetros de caminhos florestais obstruídos, 193,77 quilómetros já estão limpos, praticamente 43%, assinalando ter havido "uma "priorização em termos de freguesias e áreas afetadas".
"Aquelas que tinham maior número de árvores caídas e aquelas também que nos interessava mais rapidamente termos acesso para, havendo incêndios, os meios de socorro já poderem circular, foi aí que apostámos, ou seja, na zona centro-norte do concelho e também nas freguesias de Maceira e Parceiros, que eram aquelas que tinham mais danos", explicou o autarca.
O vereador com o pelouro da proteção civil adiantou que a estimativa é que "mais duas semanas" e o município conseguirá "chegar à totalidade de todas as áreas que foram identificadas e libertar a rede viária florestal".
O trabalho de desobstrução dos caminhos florestais tem sido feito por empresas contratadas pela autarquia e por juntas de freguesia, estando a operar no terreno, coordenados pelo Centro Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), também recursos das Forças Armadas, Força Especial de Proteção Civil, Sapadores Florestais e Guarda Nacional Republicana.
O CIPO, instalado numa viatura da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil estacionada nos Bombeiros Sapadores de Leiria, visa a remoção do material combustível acumulado pelas tempestades, a limpeza de áreas críticas, a reabertura de caminhos e a melhoria de acessos.
Luís Lopes indicou que, nesta fase, as árvores são cortadas, retiradas do caminho e colocadas "no terreno do proprietário, para que ele depois tenha a oportunidade de fazer a sua remoção".
"A intervenção posterior (...) vai ser iniciada já no âmbito da Área Integrada de Gestão da Paisagem (AIGP)", que deverá iniciar a partir da segunda quinzena deste mês, afirmou.
O vereador acrescentou que vão ser criados, "no mínimo, cinco parques de madeiras", onde também vão ser recolhidos "os sobrantes florestais e o objetivo é para a produção de estilha, ou seja, para a produção de biomassa e depois devolução ao solo".
"Esses locais, depois oportunamente, vão ser identificados e partilhados em todas as juntas de freguesia, para que as pessoas saibam para onde é que podem transportar esse material e retirá-lo dos seus terrenos para reduzir, assim, a probabilidade de um incêndio ou até de haver mais material disponível para arder", disse.
Luís Lopes admitiu haver áreas ardidas em 2022 e anos posteriores que ainda não tiveram qualquer intervenção por parte dos proprietários, "ou seja, têm madeira caída no chão", situação agravada devido ao mau tempo.
"Temos cerca de 28 mil hectares de floresta, entenda-se floresta e agricultura, no concelho e mais de 10 mil têm madeira caída no solo", notou, reconhecendo ser "algo sem precedentes".
O Município de Leiria deliberou, em abril, ser entidade gestora de uma Área Integrada de Gestão da Paisagem (AIGP), "uma abordagem territorial integrada para dar resposta à necessidade de ordenamento e gestão da paisagem e de aumento de área florestal gerida a uma escala que promova a resiliência aos incêndios, a valorização do capital natural e a promoção da economia rural", segundo a Direção-Geral do Território.
A AIGP permite a realização de operações integradas de gestão da paisagem, que "incluem corte e processamento de árvores afetadas, remoção e transporte do material, gestão da biomassa residual e eventual criação de parques temporários de armazenamento", anunciou a Câmara.
Esta operação está em consulta pública até 11 de maio. No dia seguinte, às 19:00, no estádio municipal, há uma reunião com proprietários e produtores florestais.
Esta terça-feira e na quarta-feira, decorrem sessões de esclarecimento, na União das Freguesias de Parceiros e Azoia e Associação Cultural, Recreativa e de Solidariedade Social do Vale Sobreiro, Caranguejeira, respetivamente, ambas às 19:00.
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