Especialistas e doentes denunciaram, esta quarta-feira, um tratamento discriminatório da obesidade em relação a outras doenças crónicas.
Especialistas e doentes denunciaram, esta quarta-feira, um tratamento discriminatório da obesidade em relação a outras doenças crónicas, exigindo ao Governo uma estratégia nacional que assegure um acesso equitativo e respostas estruturadas no Serviço Nacional de Saúde.
O alerta surge no Dia Mundial da Obesidade com o lançamento do Manifesto pela Ação Urgente na Obesidade, assinado por sociedades e associações médicas --- Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo; Estudo da Obesidade; Medicina Geral e Familiar; Medicina Interna; Cirurgia da Obesidade e Doenças Metabólicas --- e pela Associação Portuguesa de Pessoas que Vivem com Obesidade (ADEXO).
Em declarações à Lusa, o presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), José Silva Nunes, explicou que o manifesto pretende "chamar a atenção para o impacto da obesidade em Portugal", não só em termos de saúde, mas também de custos para o SNS.
"Face à expressão pandémica que esta doença tem, o impacto é significativo em termos financeiros. Por isso, é mesmo um problema grave de saúde pública", disse o endocrinologista, lembrando que a obesidade é um fator de risco para mais de 200 complicações de saúde, incluindo 13 tipos de cancro.
O manifesto defende uma estratégia nacional centrada no doente, que transforme recomendações existentes em ações concretas, garantindo "uma melhoria real" no tratamento das pessoas com obesidade, salientou.
Destaca também a necessidade de combater o estigma e discriminação associados à obesidade.
"Infelizmente, as pessoas com obesidade ainda são alvo de estigma e de discriminação", o que impacta no desenvolvimento pessoal e profissional.
Muitas vezes são preteridas face pessoas com "a mesma performance e as mesmas capacidades" quando concorrem a uma determinada posição" pelo preconceito de que são menos capazes, lamentou.
Segundo o especialista, estas pessoas são injustamente rotuladas "como preguiçosa" ou com "pouca força de vontade" para perder peso, como de bastasse "fechar a boca e mexerem-se mais".
"Isso não é de todo verdade. A obesidade é uma doença de base neurológica, vincou.
José Silva Nunes alertou ainda para desigualdades no acesso ao tratamento: "Não só desigualdades regionais, mas dentro da mesma região desigualdades sociais", uma vez que os fármacos, que são "um pilar essencial" do tratamento, não estão ao alcance de todos, por serem caros e não serem comparticipados.
Além disso, os serviços especializados estão concentrados no litoral, enquanto o interior do país enfrenta uma "escassez muito grande" de equipas multidisciplinares dedicadas tratamento da obesidade.
É "profundamente injusto" que o acesso ao tratamento dependa do local de nascimento ou residência, lamentou.
O endocrinologista apelou à sociedade e ao Governo para acabar com o tratamento discriminatório da obesidade, promovendo o combate ao estigma e garantindo que a doença seja tratada com a mesma prioridade de outras condições doenças crónicas, como a diabetes, hipertensão ou dislipidemia.
Apesar de reconhecida como doença crónica desde 2004, a obesidade continua a ser tratada de forma discriminatória, criticou, apelando à sociedade e aos decisores políticos para promover o combate ao estigma, garantindo que a doença seja tratada com a mesma prioridade de outras doenças crónicas, como a diabetes, hipertensão ou dislipidemia.
A presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), Paula Freitas, reforçou a necessidade de consultas de obesidade nos cuidados de saúde primários.
"Se temos cerca de 60% da população com pré-obesidade e obesidade, sabemos que é uma doença complexa e crónica, também temos de ter preparado nos cuidados primários consultas para estes doentes", defendeu.
A especialista salientou que não se trata apenas de prescrever um fármaco, sublinhando que estes doentes precisam de acompanhamento prolongado, muitas vezes por uma equipa multidisciplinar --- médico, psicólogo, nutricionista e fisiologista.
Na ausência deste recurso ideal, vincou, pelo menos deve haver acessibilidade a consultas que permitam ao doente, em conjunto com o médico, definir o melhor plano de tratamento, incluindo cirurgia.
"Precisamos de todos para tratar estes doentes e também precisamos daquilo que é a primeira porta de entrada: A medicina geral e familiar", defendeu Paula Freitas.
Em Portugal, mais de um quarto da população adulta tem excesso de peso e cerca de dois milhões vivem com obesidade, doença responsável por cerca de 10% da despesa total em saúde e 3% do PIB, segundo a Direção-Geral da Saúde.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.