Presidente do conselho de administração do Metropolitano deu conta de um aumento dos problemas após análise da evolução.
O Metropolitano de Lisboa admitiu esta terça-feira que a manutenção das escadas rolantes e dos elevadores é "bastante crítica" e lembrou que, durante cinco anos, registou-se um aumento da taxa de avarias sem que nenhuma solução tivesse sido encontrada.
Ouvida esta terça-feira na comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação da Assembleia da República, a requerimento do Chega, sobre a "nova Linha Violeta", a presidente do conselho de administração do Metropolitano de Lisboa, Cristina Vaz Tomé, disse que quando assumiu funções, há cerca de três meses, analisou a evolução dos problemas com os elevadores e as escadas rolantes, dando conta de um aumento dos problemas.
"Em 2019, a taxa de avaria das escadas rolantes e elevadores era semelhante, 4%. Em 2024, andava à volta de 14% para as escadas rolantes e 24% para os elevadores. Portanto, tiveram [anterior administração] cinco anos a ver o aumento das taxas de avaria aumentar e ninguém fez nada", afirmou.
A responsável acrescentou que a solução poderá não passar por externalizar os contratos de manutenção, já que "umas vezes funciona, outras não funciona", mas por modelos mistos.
"A verdade é que o tipo de contratos não penalizava o fornecedor, não tinha níveis de serviço, ou seja, o fornecedor recuperava a avaria, mas no dia seguinte a avaria [voltava] e não era penalizado", referiu.
Cristina Vaz Tomé fez ainda referência ao facto de não existir "um diálogo entre as áreas que compram e a área que mantém".
Ou seja, acrescentou, quem comprava ia "a um mercado com determinado tipo de objetivos, pressupostos", mas depois não entrava em diálogo com quem fazia a manutenção.
Não havia "um diálogo para perceber se aquela era a melhor solução, se tinham capacidade para fazer manutenção, se tinham peças ou se no contrato da compra havia uma previsão de peças sobresselentes", explicou.
Por isso, indicou a responsável, quando a sua equipa chegou revogou o contrato existente e lançou um processo que está agora em curso, no qual "a compra tem que vir associada à manutenção, precisamente para garantir que há um compromisso entre quem vende e aquilo que é a especificação do que é que vai ser comprado com a capacidade que as equipas internas e externas têm para manter".
Em 2024, o Metropolitano de Lisboa liderava as reclamações dos utilizadores dos transportes públicos, com 525 queixas sobre escadas mecânicas e 420 sobre elevadores, mais do que no ano anterior.
Na altura, em resposta à Lusa, a empresa justificou que o aumento se deveu, "sobretudo, ao crescimento do número de equipamentos temporariamente inoperacionais devido a intervenções de substituição e modernização".
Ainda assim, indicou então o Metropolitado, os elevadores registaram em 2024 um índice médio de disponibilidade de 85%.
Com a conclusão das intervenções nas estações Campo Pequeno e Picoas, em 2025, o metro de Lisboa passou a contar com 46 estações dotadas de elevadores e equipamentos de acessibilidade, o que corresponde a cerca de 82% da totalidade da rede, segundo dados da empresa disponíveis no 'site' oficial.
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