João Marques salientou que aquele montante diz apenas respeito a danos em infraestruturas municipais.
O Município de Pedrógão Grande remeteu à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro prejuízos de 12,8 milhões de euros devido ao mau tempo, mas a autarquia está a detetar mais danos.
"A estimativa são 12 milhões e 800 mil [euros], mas já descobrimos novos casos. Ainda esta semana descobrimos uma fissura com alguma dimensão numa estrada municipal que liga Vila Facaia a Mosteiro, que vai exigir um trabalho de fundo e, nomeadamente, um muro de contenção de terras", afirmou João Marques.
Em declarações à agência Lusa em Castanheira de Pera, onde esta terça-feira se realiza uma reunião da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, João Marques salientou que aquele montante diz apenas respeito a danos em infraestruturas municipais.
"O mais grave são os caminhos e estradas municipais. É onde temos mais prejuízo, mas também edifícios públicos", adiantou, exemplificando com pavilhões, escolas, alojamento de estudantes, habitação social ou estádio municipal.
No caso desta última infraestrutura desportiva, "os campeonatos continuam a decorrer e, embora o campo em si não tenha sofrido muitos danos", todas as vedações e bancadas "foram bastante prejudicadas com a intempérie".
Nesta contabilidade não estão incluídos os prejuízos no quartel dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, que ficou inoperacional na sequência da depressão Kristin, em 28 de janeiro.
Em 24 de fevereiro, o autarca tinha dito à Lusa que os prejuízos causados pelo mau tempo ultrapassavam os 10 milhões de euros.
João Marques declarou que do Governo espera ajuda e rápida.
"Esperamos agora que o Governo nos ajude, evidentemente, quanto mais rapidamente melhor, porque há obras que têm de ser intervencionadas rapidamente (...), há obras que são para ontem", alertou, desejando que "haja um adiantamento, que haja a possibilidade de o Governo avançar com um determinado montante por município".
Segundo João Marques, o objetivo é que esse montante permita à Câmara "cabimentar obras".
"O grande problema de municípios como Pedrógão é o de não termos capacidade financeira para poder lançar os concursos. Para lançarmos o concurso, a obra tem de ser cabimentada, para ser cabimentada temos de ter o dinheiro disponível. Ora, se não temos dinheiro disponível, fica tudo por fazer, porque não conseguimos lançar sequer os concursos", explicou.
Ao Governo fez um apelo para que, "através do Banco de Fomento, do Banco Europeu de Investimento, do próprio Orçamento Geral do Estado", disponibilize verbas.
"Eu não digo a totalidade, porque isto são obras que vão demorar, algumas delas, alguns anos a recuperar, mas pelo menos uma parte, para nós podermos ir trabalhando, podermos ir avançando com os concursos e fazendo as obras", adiantou.
Além de Pedrógão Grande, integram a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria os municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pombal e Porto de Mós.
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
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