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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Novo estudo mostra que 'rei dos dinossauros' crescia até aos 40 anos

Durante décadas, os paleontólogos tentaram reconstruir a vida do Tyrannosaurus rex estudando os anéis de crescimento nos seus ossos.

15 de janeiro de 2026 às 07:36

O Tyrannosaurus rex, considerado o 'rei dos dinossauros', crescia lenta e constantemente até atingir a idade adulta aos 40 anos, quando podia pesar até oito toneladas, segundo uma nova investigação.

Durante décadas, os paleontólogos tentaram reconstruir a vida do Tyrannosaurus rex estudando os anéis de crescimento nos seus ossos, semelhantes aos das árvores, e até agora as teorias mais aceites sugeriam que estes gigantescos carnívoros atingiam o seu tamanho adulto por volta dos 25 anos de idade.

Mas um novo e extenso estudo, publicado na revista PeerJ, sugere que o Tyrannosaurus rex demorava até 40 anos a completar o seu desenvolvimento, prolongando a fase de crescimento anteriormente estimada em 15 anos.

A investigação, liderada por Holly Woodward, professora de Anatomia e Paleontologia na Universidade Estadual de Oklahoma (Estados Unidos), analisou 17 exemplares desta espécie de dinossauro, desde juvenis a adultos de grande porte.

Ao examinar secções ósseas sob luz especial e utilizando algoritmos estatísticos avançados, a equipa identificou anéis de crescimento ocultos que não tinham sido considerados em estudos anteriores.

"Este é o maior conjunto de dados alguma vez compilado sobre o Tyrannosaurus rex", frisou Woodward, convicta de que esta abordagem permitiu reconstruir a história de crescimento do animal com um nível de detalhe sem precedentes.

A análise revelou que esta espécie crescia lenta e constantemente, em vez de atingir a idade adulta rapidamente, como se pensava anteriormente.

Esta fase de crescimento prolongada pode ter permitido que os jovens tiranossauros ocupassem diversos papéis ecológicos no seu meio ambiente, contribuindo para o seu sucesso como predadores no final do período Cretácico.

A investigação também oferece novas perspetivas sobre a variabilidade de tamanho entre espécimes e levanta a possibilidade de que alguns espécimes anteriormente classificados como Tyrannosaurus rex possam, na verdade, pertencer a outras espécies ou subespécies, como o Nanotyrannus.

Entre as descobertas mais assinaláveis estão os exemplares conhecidos como "Jane" e "Petey", cujas curvas de crescimento foram estatisticamente diferentes das dos outros indivíduos.

Embora o registo esquelético não confirme definitivamente se pertencem a outra espécie, as evidências sugerem essa possibilidade, corroborando estudos recentes que os classificam como Nanotyrannus.

Este tipo de análise sublinha como a combinação de técnicas de amostragem alargadas, estatísticas inovadoras e luz polarizada permitiu a deteção de um novo tipo de anel de crescimento, o que pode ajudar a reavaliar a história de crescimento de outros dinossauros para além do Tyrannosaurus rex.

Após mais de um século de investigação, o Tyrannosaurus rex continua a surpreender os cientistas, e este estudo oferece, pela primeira vez, um panorama completo da sua vida: desde os juvenis de crescimento lento até aos gigantes de oito toneladas que dominaram os ecossistemas do Cretácico Superior.

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