Modelo determina que os hospitais vão ser obrigados a fazer triagem num prazo de dois a cinco dias úteis.
O novo Sistema Nacional de Acesso a Cuidados de Saúde (SINACC), que iniciará testes em setembro, visa diminuir as listas de espera para consultas e cirurgias, mantendo o utente informado sobre o seu processo, explicou esta terça-feira a coordenadora.
"A intenção é que, com mecanismos que permitem uma melhor gestão, se consiga a diminuição das listas de espera. Queremos ter doentes a ser atendidos aos cuidados de saúde mais em tempo", disse Joana Mourão que coordena o grupo de trabalho que está a desenvolver o SINACC.
Na prática o SINACC é um novo modelo de gestão de listas de espera que substituirá o atual Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), uma medida que se destina a garantir que nenhum doente prioritário fica esquecido.
O novo modelo determina que os hospitais vão ser obrigados a fazer triagem num prazo de dois a cinco dias úteis.
À Lusa, a médica anestesiologia que trabalha na Unidade Local de Saúde (ULS) São João, no Porto, adiantou que "tudo passa a funcionar através de uma triagem clínica, deixando de existir triagem administrativa".
"Portanto, aumenta-se a eficiência do sistema", resumiu.
A triagem clínica vai servir para avaliar o grau de urgência de cada caso e definir prazos de resposta ajustados.
O novo modelo prevê variáveis como a prioridade clínica ou ser doente oncológico que podem condicionar que um doente seja atendido à frente de outro.
"Existirão dois níveis de prioridade de triagem. Isto é, quando um médico referencia um doente para a primeira consulta hospitalar, pode colocá-lo como prioritário ou como pedido normal", disse Joana Mourão.
O SINACC será totalmente informatizado, todos os doentes passam a ser referenciados através do sistema e todos os pedidos terão de ser feitos por via eletrónica, independentemente se chegam do médico de família ou do médico hospitalar.
O objetivo é acabar com os agora denominados "pedidos à porta" em papel que não seguem o percurso habitual.
Os dados inseridos poderão ser lidos em formato gráfico para permitir ao utilizador saber qual é o doente que tem que ver imediatamente a seguir para não ultrapassar a lista.
"E vai aparecendo alarmística a quem está a fazer o agendamento dos doentes, a avisar o tempo de espera", acrescentou a também professora na Faculdade de Medicina da Universidade de Porto.
Outra novidade é o acompanhamento que o utente poderá fazer do seu processo, uma vez que poderá vê-lo através da aplicação do SNS24 ou então no portal do doente.
Adicionalmente será criada uma linha para a qual o utente pode telefonar para ser informado da sua situação.
Para garantir mais rapidez e equidade de acesso, Joana Mourão acrescentou, ainda, que determinadas patologias poderão ser vistas por diferentes especialidades, sem que com isso haja riscos para o doente no seu tratamento.
"Uma insuficiência cardíaca, se em Cardiologia o doente está a atingir o tempo para o qual já deveria ter uma resposta, mas a Medicina Interna tiver capacidade de receber esse doente, pode começar a consulta pela Medicina Interna, sem que com isso haja prejuízo para o doente. O doente é avaliado numa primeira consulta pela Medicina Interna e fica logo com o seu problema resolvido ou referenciado para Cardiologia", exemplificou.
Salvaguardando que "naturalmente isto não pode ser feito para todas as patologias", Joana Mourão recordou que existem competências que se encontram em algumas especialidades.
"Acho que o programa vai permitir que cada entidade se possa adaptar melhor à sua realidade", afirmou.
O SINACC iniciará testes em setembro no IPO de Lisboa, na ULS de Coimbra e na ULS Alto do Ave.
Correndo bem, será generalizado a todo o país já em novembro.
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