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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Novo presidente do Supremo Tribunal de Justiça defende decisões nos tribunais mais fáceis de perceber

Cura Mariano critica “estilo barroco” das decisões, que conduzem a cultura judiciária pretensiosa. Defende reformas urgentes, mas não estruturais.

05 de junho de 2024 às 01:30

O novo presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) alertou ontem, no discurso de tomada de posse, que as decisões dos tribunais têm de ser “estruturadas, fundamentadas e redigidas de forma clara, e que as mesmas, sempre que tenham ou devam ter repercussão pública, sejam comunicadas de modo a que a generalidade dos cidadãos as entendam”.

Para o juiz conselheiro João Cura Mariano, os tribunais têm de abandonar “o estilo barroco” das decisões, que conduziram a uma “cultura judiciária pretensiosa”, e procurar aplicar o direito ao caso concreto de uma forma justa.

João Cura Mariano entende que a Justiça precisa de reformas urgentes, mas não estruturais. “A urgência reside antes num conjunto de medidas setoriais e pontuais, muitas delas nevrálgicas, que permitam que o sistema judicial responda eficazmente, o que também significa, atempadamente, a todas as novas exigências e desafios”, defendeu o novo presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

Os megaprocessos representam para o novo presidente do Supremo Tribunal de Justiça a necessidade de "medidas gestionárias robustas", afetando mais meios humanos e tecnológicos "proporcionais à complexidade dos casos". Cura Mariano lembrou que estão identificadas alterações na lei "que contribuiriam para evitar o protelamento excessivo do desfecho".

Cura Mariano considera que "no topo das preocupações" está a revisão da legislação que regula a entrada nas magistraturas, alertando para o crescente desinteresse pela profissão e para o "ponto de rutura" já atingido, com vagas por preencher "por não existirem candidatos com as condições mínimas". "Não se compreende", por isso, que o anteprojeto de revisão legislativa não tenha dado entrada no Parlamento, disse.

Frases:

"A Justiça volta a estar na crista da onda discursiva, sob o signo da crise e da desconfiança";

"Corremos o risco previsível de o STJ ser um tribunal onde a quem ele ascende vem apenas entregar o seu pedido de jubilação. É uma realidade com tendência a agravar-se";

"O tempo exigente das sociedades modernas não admite que a resolução de um conflito, por regra, aguarde a análise e a pronúncia de três entidades distintas".

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