A Ordem dos Médicos vai assumir o pagamento de 10 prémios de mérito a alunos do ensino secundário, depois da decisão "polémica e incompreensível" do Ministério da Educação de suspender esta forma de estimular a dedicação ao estudo. <br/>
"Na sequência da polémica e incompreensível decisão do Ministério da Educação de suspender intempestivamente a entrega dos prémios de mérito aos melhores dois alunos das 464 escolas secundárias, o Conselho Nacional Executivo da Ordem dos Médicos decidiu responder positivamente ao apelo pungente dos diretores das escolas", explica um comunicado da entidade divulgado esta quinta-feira.
Assim, a Ordem dos Médicos constitui-se como "um dos mecenas da sociedade civil para substituir esta aberrante e contraproducente decisão do Ministério da Educação e Ciência", salienta.
A Ordem dos Médicos "faz questão" de pagar os prémios a Miguel Saraiva, da Escola Alves Martins, de Viseu, e a Kristina Hundarova, da Escola Secundária de Silves, futura médica.
"Lamento a atitude do Governo e faço votos para que, no final do ano, os prémios dos gestores públicos de milhões de euros também sejam suspensos e possamos todos ajudar Portugal", terá dito Miguel Saraiva à comunicação social, segundo a Ordem, que afirma subscrever esta opinião.
Para a Ordem, a "atitude do Governo é tanto mais incompreensível, quando, num país falido e que a breve prazo terá mais de 6000 médicos sem trabalho, se insiste em desperdiçar milhões de euros num curso de Medicina, em Aveiro, completamente desnecessário".
A Ordem dos Médicos apela à sociedade civil para que se mobilize e colabore no reconhecimento do mérito dos jovens estudantes.
O jornal Público noticiou na quarta-feira a suspensão do prémio de mérito de 500 euros que tem como objectivo distinguir os melhores alunos do ensino secundário de cada escola, uma decisão que a Confederação Nacional das Associações de Pais considerou "mais um murro no estômago" e um "sinal da falta de estratégia para a Educação", mas que teve a concordância da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE).
O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, esclareceu depois que a opção de suspender a atribuição do prémio já tinha sido tomada "há bastante tempo".
"Já decidimos isso há bastante tempo, houve qualquer problema de comunicação", afirmou o ministro, questionado sobre o facto da deliberação defraudar as expectativas dos estudantes distinguidos, que iriam receber o prémio na sexta-feira, só ter sido conhecida na quarta-feira.
"Achamos melhor que os 500 euros que estavam atribuídos a cada aluno" sejam "atribuídos a projectos de escola, a projectos de apoio aos alunos e não devemos estar simplesmente a distribuir dinheiro", esclareceu Nuno Crato.
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