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Correio da Manhã

Sociedade
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Ordem dos Médicos solidariza-se com médica agredida e pede medidas ao Governo e ao Ministério Público

Utente esbofeteou e pontapeou clínica por esta lhe pedir que aguardasse por exame.
Lusa 28 de Dezembro de 2019 às 18:11
Médica agredida por utente no hospital de Setúbal
Médica agredida por utente no hospital de Setúbal
Médica agredida por utente no hospital de Setúbal
Médica agredida por utente no hospital de Setúbal
Médica agredida por utente no hospital de Setúbal
Médica agredida por utente no hospital de Setúbal
Médica agredida por utente no hospital de Setúbal
Médica agredida por utente no hospital de Setúbal
Médica agredida por utente no hospital de Setúbal
Médica agredida por utente no hospital de Setúbal
Médica agredida por utente no hospital de Setúbal
Médica agredida por utente no hospital de Setúbal
A Ordem dos Médicos condenou este sábado a agressão, esta sexta-feira, a uma médica que assegurava o serviço de urgência do Hospital de Setúbal e exigiu uma "intervenção urgente" do Ministério da Saúde, do Ministério Público e de outras entidades.

Em comunicado, a Ordem dos Médicos considera o ocorrido "absolutamente inaceitável", lembra que configura crime público e pede intervenção urgente das entidades governamentais e judiciárias.

"A nossa primeira palavra de solidariedade é para com a nossa colega violentada em pleno local de trabalho. Não é de todo aceitável que quem está a salvar vidas não veja a sua própria vida devidamente protegida", refere o bastonário da OM, Miguel Guimarães.

A OM alerta que os casos de violência contra profissionais de saúde estão a aumentar e lamenta que "este aumento exponencial da violência seja mais um sinal de que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não está bem".

"Este tipo de agressões vem mais uma vez revelar a fragilidade da política autoritária que está a ser seguida pelo Ministério da Saúde. Na verdade, a falta de um plano estruturado para a saúde que inclua as reformas essenciais e um investimento sério na saúde das pessoas, mas também nos profissionais que todos os dias fazem o SNS, está a resultar numa desestruturação do próprio serviço público com taxas cada vez mais elevadas de abandono, de absentismo, de sofrimento ético, de 'burnout' e de violência física e psicológica", adverte a OM.

A OM pede também uma intervenção "mais assertiva das autoridades judiciais nestes casos e que o Ministério da Saúde tenha uma intervenção rápida e urgente", com medidas e políticas concretas que permitam prevenir este tipo de situações e devolver aos profissionais e aos utentes "um SNS em que o respeito, a confiança, a segurança e a qualidade imperem em todas as suas vertentes".

"Corremos o risco de termos cada vez menos profissionais disponíveis para trabalhar em contextos exigentes como o serviço de urgência", aponta Miguel Guimarães, lembrando que "a qualidade e a segurança clínica também podem ser afetadas pelos contextos de pressão excessiva".

A OM vai também exigir responsabilidades ao Conselho de Administração do Hospital de Setúbal, dar todo o apoio à médica agredida e prevenir todos os médicos que não devem trabalhar sem as as condições adequadas, designadamente aquelas que não garantem segurança clínica e segurança física.

O aumento dos casos de violência e de 'burnout' levou a OM a criar em maio o Gabinete Nacional de Apoio ao Médico.

A médica, de 65 anos, foi esbofeteada e espancada, e teve que ser operada a um olho, depois de ter sido agredida por uma mulher de 25 anos, que ficou em liberdade apesar de ter espancado violentamente a médica que a atendeu na Urgência do Hospital de São Bernardo, Setúbal.

A agressão resultou do facto da médica ter informado a agressora de que não estava grávida e que, por isso, poderia aguardar pelo exame na sala de espera.

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