Investigador da Universidade do Porto alerta que fenómenos climatéricos extremos vão acontecer com "maior periodicidade".
Um investigador da Universidade do Porto avisa que os fenómenos meteorológicos extremos vão acontecer com "maior periodicidade", constatando que o país está "mal preparado" para catástrofes, como as que assolam o país, no socorro e ordenamento do território.
"Naturalmente que aquilo que acontecerá com maior intensidade será secura e temperaturas altas e, portanto, deve preocupar-nos mais a questão ligada ao verão e aos incêndios, mas também acontecem estas coisas" das intempéries, afirmou José Rio Fernandes.
O professor do Departamento de Geografia da Universidade do Porto, em declarações à Lusa, admitiu que fenómenos atmosféricos como os que têm assolado o país desde o final de janeiro "sempre aconteceram, mas é possível que aconteçam com maior intensidade e com maior periodicidade, com intervalos mais pequenos".
"Primeiro, ninguém está completamente preparado para catástrofes, a natureza é, de facto, muito forte. Ponto dois, Portugal está particularmente mal preparado, porque, digamos, do ponto de vista da prevenção, o elemento fundamental chama-se ordenamento território", apontou.
O também investigador do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT), das universidades de Coimbra e do Porto, salientou que o principal problema tem a ver com a forma se organiza "o território para prevenir que os efeitos sejam muito danosos".
"Ora, nós temos um território muito mal organizado, nós construímos em leito de cheia, nós construímos junto à floresta, ou outros combustíveis, e apesar de termos muito planeamento, o planeamento transformou-se basicamente num exercício jurídico, cheio de leis, regras, uma tarefa muito pesada, muito centralizada, direções-gerais variadas, institutos, empresas", considerou.
O geógrafo exemplificou com os planos diretores municipais (PDM), o "instrumento mais forte" do ponto de vista do planeamento, "executado pelos municípios, mas que estão sujeitos a um conjunto de pareceres e de reuniões com instituições centrais" e demoram em média no país 10 anos para serem aprovados.
"E, portanto, é um quebra-cabeças, é uma dor de cabeça para as autarcas", lamentou José Rio Fernandes, acrescentando que, no que toca ao dito plano regional de ordenamento do território, não vai ao ponto de "dizer que não serve para nada, mas não tem um tomador" e quem "o executa".
Embora admitido que "há alguma orientação a partir do plano regional para os planos municipais", nada obriga um ministério a promover rodovias ou ferrovias "a olhar para os planos regionais", ou para "reforçar as cidades médias na região norte ou na região centro".
"Por exemplo, em França houve uma política territorial de reforço das cidades médias. Nos planos regionais também há uma ideia de que seria bom existirem um pouco cidades que equilibrassem o sistema urbano. Portanto, cidades médias, sei lá, Évora, Braga, Viseu, Bragança, Elvas, um conjunto de cidades que seria bom reforçá-las", sublinhou.
Para o investigador do CEGOT, "não existe uma política de cidades no país" e, portanto, estes "planos regionais não têm efeitos significativos" e, embora possam existir "muitos planos", como "dizia o [geógrafo] Jorge Gaspar", depois não temos "o território ordenado".
"Território ordenado significa, fundamentalmente, [...] preparado para estes fenómenos extremos e, sobretudo, um território capaz de ser mais eficiente, de promover desenvolvimento, de ter menos gastos em saneamento, em água, em eletricidade. Portanto, ser um território ao serviço da população, da sociedade, do país", frisou.
Por isso, notou, "quando acontecem os acidentes", percebe-se que existem "construções em leito de cheia", cidades "junto aos rios que não estão protegidas" e que, entretanto, se construíram hotéis, por exemplo, em zonas inundáveis "como acontece em Alcácer do Sal".
Em relação às lições a tirar para o futuro, Rio Fernandes considerou que "depende muito do impacto que tenha a perceção" da "incapacidade coletiva", pois se ficar muito claro que houve essa incapacidade, "pode haver um sobressalto cívico" para mudar.
Na sequência dos grandes incêndios, o geógrafo viu "alterações significativas" na forma com se passou a olhar para esses fenómenos, nesse sentido espera que, com as inundações e a depressão Kristin, "em Leiria e à volta" alguma "coisa mude".
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.