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Correio da Manhã

Sociedade
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Poluição de Siderurgia assusta Aldeia de Paio Pires

Carros ficam cobertos de partículas de pó que não saem.
Edgar Nascimento e Sofia Garcia 16 de Janeiro de 2019 às 16:19
Moradores queixam-se de poluição
Moradores queixam-se de poluição
Moradores queixam-se de poluição
Moradores queixam-se de poluição
Moradores queixam-se de poluição
Moradores queixam-se de poluição
Moradores queixam-se de poluição
Moradores queixam-se de poluição
Moradores queixam-se de poluição
Moradores queixam-se de poluição
Moradores queixam-se de poluição
Moradores queixam-se de poluição
Moradores queixam-se de poluição
Moradores queixam-se de poluição
Moradores queixam-se de poluição
Moradores queixam-se de poluição
Moradores queixam-se de poluição
Moradores queixam-se de poluição

Centenas de pessoas vivem praticamente paredes meias com a Siderurgia Nacional na Aldeia de Paio Pires, no concelho do Seixal. Os moradores dizem que acordam diariamente com os carros cobertos de partículas de pó que não saem das viaturas. "Ainda ontem lavei o carro do meu filho e o da minha mulher e hoje estão neste estado."

"A semana passada tive de lavar o meu com um esfregão palha de aço. Há dias que se tira meio quilo de poeira dos carros", explica José Figueira. "Vivo aqui há 14 anos e nunca dei muita importância mas a semana passada não pude ir logo lavar o carro e agora o pó não sai. Contactei a empresa e o que respondem é como é que eu tenho a certeza que é da Siderurgia".

Perante a resposta, Brigitte Passarinho decidiu apresentar queixa na GNR que recolheu amostras da viatura da queixosa. As mesmas   partículas, que a população afirma virem da Siderurgia Nacional, invadem casas, esplanadas de café e até parques infantis da vila onde os escorregas ficam cobertos de pó. "As pessoas respiram isto todos os dias, crianças e tudo. Temos aqui muitas creches e escolas", afirma José Figueira.

Em 2013, no Facebook, nasceu o grupo Os Contaminados onde João Pereira, um dos membros, partilha assiduamente informação sobre o caso que atormenta os moradores de Paio Pires. "Estamos sujeitos 24h por dia, 356 dias por ano, a estes poluentes. Não queremos que a fábrica feche mas sim que se sujeite aos regulamentos ambientais a que está obrigada", informa.

Em março de 2018 a SN-Seixal divulgou o resultado dos testes de emissão de poluentes na SN-Seixal. O controlo, realizado em julho de 2017, no qual a inspecção-geral do Ambiente realizou ações periódicas na fábrica, não detectou incumprimentos da lei na vertente ambiental, designadamente por poluição. 

Nesta terça-feira, a Câmara do Seixal reuniu com o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, para discutir o problema da poluição da Siderurgia Nacional. Segundo o presidente da autarquia, Joaquim Santos, "está em curso desde setembro de 2018 um estudo epidemiológico, que terá a duração de 7 meses", com o apoio de várias entidades, como a Universidade Nova de Lisboa e o Instituto Ricardo Jorge. O município do Seixal avançou também com a análise das partículas que se depositam em edifícios e viaturas, para determinação da sua origem e natureza.

O CM já solicitou um esclarecimento à Siderurgia Nacional, sem sucesso.

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