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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Portugueses entre os milhares que se manifestaram contra mina de urânio de Retortillo

Entre 2.500 e 3.000 pessoas saíram à rua em Salamanca para contestar nova mina a 40 km de Portugal

24 de fevereiro de 2018 às 19:06

Entre 2.500 e 3.000 pessoas, "sobretudo" espanhóis, mas também "alguns portugueses", manifestaram-se este sábado na cidade espanhola de Salamanca contra a instalação de uma mina de urânio em Retortillo, disse à Lusa um dirigente da Quercus.

A partir da Plaza Mayor de Salamanca, onde, no final da manifestação, estava a ser lido o manifesto para ser aprovado pelos presentes, Nuno Sequeira, vice-presidente da associação ambientalista Quercus, vincou que vão continuar a "sensibilizar o Governo português" para que tome "uma posição mais firme e muito rápida" sobre o assunto.

"A altura para agir é agora, de outra forma o projeto irá avançar", apelou o ambientalista da Quercus, que aderiu ao protesto convocado pelo movimento "No a la Mina de Uranio", que contou ainda com o deputado Pedro Soares (BE) e uma comitiva do Partido Ecologista 'Os Verdes' (PEV).

Os ambientalistas contestam a construção, pela mineira Berkeley, de uma mina a céu aberto em Retortillo, na região de Salamanca, a 40 quilómetros de Portugal, alegando graves impactos para o ambiente e para a saúde.

Nuno Sequeira pôde observar o que se passa no terreno e constatou que "houve o abate de várias azinheiras, há escritórios montados, há estaleiros, depósitos de material, a zona está, toda ela, vedada", mostrando que "a empresa quer avançar rapidamente com os trabalhos".

Portanto, "é preciso que o Governo português atue com muita celeridade, no sentido de exigir junto de Espanha que este processo retorne ao início, que a declaração de impacto ambiental que foi emitida pelo Governo espanhol seja declarada nula, seja feita uma nova avaliação de impacto ambiental transfronteiriça", defende.

O ministro do Ambiente português, João Pedro Matos Fernandes, disse hoje que vai reunir-se com a sua homóloga espanhola na terceira semana de março, durante o Fórum Mundial da Água.

"Esta é uma luta que diz respeito não apenas aos espanhóis", realça Nuno Sequeira.

"A defesa do ambiente, da segurança e também da saúde pública não tem fronteiras", frisa, alertando para "todos os impactos nefastos" que uma mina a céu aberto "terá não só em Espanha, mas também em Portugal".

O ambientalista adiantou ainda que a tradicional manifestação contra o nuclear, agendada para 10 de junho, decorrerá este ano em Salamanca, porque a mina de Retortillo "está na ordem do dia".

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