Dados mostram que a instituição apoiou 18.549 pessoas, relativamente às quais foram reportados 35.341 crimes, 73,9% dos quais violência doméstica.
Quase três em cada quatro pessoas ajudadas pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima em 2025 eram vítimas de violência doméstica, revela a associação, segundo a qual este mantém-se o crime mais reportado, com mais de 26 mil queixas.
As estatísticas da APAV relativas a 2025, a que a Lusa teve acesso, mostram que a instituição apoiou 18.549 pessoas, relativamente às quais foram reportados 35.341 crimes, 73,9% dos quais violência doméstica.
Em declarações à Lusa, a assessora técnica da direção da APAV Carla Ferreira apontou que este é "sem dúvida" o crime que "leva a dianteira", tendo em conta "os mais de 26 mil crimes reportados".
"Há um peso de cerca de três em cada quatro vítimas que nós apoiamos eram vítimas de violência doméstica", salientou.
Destacou, por outro lado, que houve outros crimes reportados que tiveram "aumentos significativos", como "as situações de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, que aumentaram 87% entre 2024 e 2025".
Mencionou também os casos de burla, que aumentaram 48% ou os crimes sexuais contra crianças e jovens que cresceram 25% entre 2024 e 2025.
De acordo com Carla Ferreira, a APAV registou um aumento de 25% nos casos de perseguição denunciados e de 14% nos crimes de ameaça e de coação, havendo preponderância de situações ocorridas no contexto online, nomeadamente nos crimes sexuais contra crianças.
Lembrou que a APAV é responsável, desde 2019, pela gestão da linha Internet Segura, através da qual "entram também muitos pedidos de ajuda para as situações de violência em contexto online, particularmente as situações de burla ou as situações de violência sexual".
Uma realidade que a responsável entende que deve ser acompanhada de medidas não só de combate, mas também de mecanismos preventivos.
No que diz respeito à primeira, Carla Ferreira diz que Portugal tem uma legislação "bastante completa em termos de penalização dos fenómenos criminais", mas salientou que uma coisa é a lei, outra a sua aplicação.
Deu como exemplo os vários mecanismos existentes para as vítimas de crime sexuais ou de violência doméstica que nem sempre se aplicam às demais vítimas de uma forma clara e imediata.
"Ainda há um caminho a fazer. Aliás, lançamos esses dados estatísticos a propósito do dia 22 de fevereiro, que é o Dia Europeu da Vítima de Crime, que também pretende lembrar, precisamente, que todas as vítimas de crime devem ter uma voz e todas as vítimas de crime têm direitos", defendeu.
Relativamente à prevenção, apontou que existem várias iniciativas, tanto de órgãos de polícia criminal como da própria APAV, mas "regra geral são pouco uniformizadas".
Carla Ferreira salientou que desde 2015 há um estatuto de vítima previsto na lei, mas lembrou que "a APAV é a única organização que presta apoio a vítimas de todas as formas de crime e de violência" em todo o país.
"O que significa que, ao contrário, por exemplo, da violência doméstica, em que existem muitas outras respostas, as demais vítimas não têm a mesma atenção", alertou.
Admitiu que a violência doméstica é "quase endémica" na sociedade portuguesa, o que justifica a quantidade de respostas, mas defendeu que as outras vítimas não podem ficar esquecidas, apontando que o que importa não é o crime em si, mas o impacto que ele teve na vida da vítima.
De acordo com a responsável, a APAV tem constatado uma certa mutação nos crimes, apontando que "atrás de um teclado é fácil praticar crimes de discriminação" ou falsificar uma identidade.
Especificamente em relação ao contexto online, Carla Ferreira acredita que "se calhar há mesmo de facto mais crime", tendo em conta o "escalar de algum tipo de conteúdos, de discursos de normalização de algumas formas de violência".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.