Quebras na recolha de plástico (40.031 toneladas, -6,6%), de aço (3.690 toneladas, -3,3%) e das embalagens de cartão para alimentos líquidos, ECAL, (3.997 toneladas -1,2%).
A reciclagem de embalagens estagnou no primeiro semestre deste ano, levando as entidades gestoras de resíduos a alertar para o incumprimento de metas europeias e para a urgência de aumentar a recolha seletiva.
Entre janeiro e junho, a recolha seletiva de embalagens aumentou apenas 0,9%, com dados do Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE) a indicarem que foram recolhidas 233.065 toneladas de resíduos de embalagens.
Os dados divulgados pelas três entidades gestoras destacam que o papel/cartão, com 82.255 toneladas, e a madeira, com 1.650 toneladas, tiveram crescimentos e +4,8% e +13,5% respetivamente.
Aumentos que não compensam as quebras na recolha de plástico (40.031 toneladas, -6,6%), de aço (3.690 toneladas, -3,3%) e das embalagens de cartão para alimentos líquidos, ECAL, (3.997 toneladas -1,2%), salienta a "Novo Verde" em comunicado.
O vidro, que é o material com maior volume recolhido (100.343 toneladas), registou um crescimento marginal de apenas +1,0%, nota ainda a "Novo Verde".
Também em comunicado, e apontando os valores do SIGRE, a Sociedade Ponto Verde (SPV) alerta para a urgência de agir no terreno para cumprir as metas da reciclagem de embalagens, reiterando que a evolução continua insuficiente e defende o reforço urgente da recolha seletiva para que Portugal cumpra as metas.
A SPV diz ser particularmente preocupante a recolha de vidro, cuja separação cresceu apenas 1%. Mas aponta a urgência na reciclagem em geral, lembrando que no ano passado Portugal registou uma taxa de retoma de resíduos de embalagens de 60,5%, tendo entrado em incumprimento das metas europeias de reciclagem (65%).
A entidade considera que o principal desafio continua a estar na eficiência de recolha seletiva e da triagem.
"A verdade é que o sistema está a ser financiado, mas esse investimento continua sem se traduzir numa melhoria de serviço que é urgente e necessária", adianta a SPV.
É que, justifica a SPV, o investimento no SIGRE tem vindo a ser reforçado de forma consistente e histórica e deve atingir este ano os 237 milhões de euros.
A entidade gestora Electrão refere também que o aumento de 1% na reciclagem de embalagens neste primeiro semestre é aparentemente "um sinal positivo" mas "acaba por traduzir uma situação de estagnação e até mesmo de retrocesso", porque o consumo continua a crescer a um ritmo mais acelerado, muito próximo dos 2%.
Apesar de a atuação da Electrão ser condicionada, porque é competência dos municípios a recolha de resíduos urbanos, incluindo as embalagens recolhidas seletivamente, a entidade destaca a importância de se investir em outros projetos.
E dá o exemplo de uma colaboração com autarquias de recuperação de 60 toneladas de embalagens, no primeiro semestre, a partir de papeleiras instaladas em espaços públicos e praias. Tal mostra que "continuam a existir quantidades significativas de embalagens recicláveis que escapam aos circuitos convencionais de recolha".
O diretor executivo da Electrão, Pedro Nazareth, considera que se o país quiser inverter a atual trajetória de estagnação terá de "apostar em soluções complementares de recuperação de embalagens". Além de reforçar a eficiência dos sistemas de recolha seletiva e criar condições para uma maior participação do cidadão e de todos os agentes do setor.
O diretor-geral da "Novo Verde", Pedro Simões, diz que se está perante um sinal claro de que "o país precisa de acelerar o passo" e que "atingir as metas não é uma opção, é um dever coletivo".
"Metade do ano já passou e os números mostram que, se continuarmos neste caminho, estaremos perante mais um ano em que não conseguiremos cumprir as metas de reciclagem de embalagens. O sistema continua a responder abaixo do seu potencial e aquilo que falta, neste momento, é agir no terreno", diz a diretora executiva da SPV, Ana Trigo de Morais, também citada em comunicado.
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