Empreitada tem de estar concluída até ao final de 2026.
O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, disse esta quinta-feira ao presidente da Metro do Porto, Tiago Braga, que a informação "imprecisa" difundida pela transportadora pode "comprometer a articulação e cooperação" para a execução da Linha Rubi.
Numa carta enviada ao presidente da Metro, a que a Lusa teve esta quinta-feira acesso, Rui Moreira classifica de "imprecisa" a informação divulgada pela transportadora quanto ao corte de trânsito na Via Panorâmica, divulgado na semana passada, que não foi autorizado então pela autarquia.
"Este tipo de informação veiculada pela Metro do Porto tem gerado, desde já, preocupações entre os serviços técnicos da Câmara Municipal do Porto, fomentando um clima de desconfiança que poderá comprometer a articulação e cooperação necessárias para o sucesso deste projeto", a nova Linha Rubi (Casa da Música - Santo Ovídio), pode ler-se na missiva.
Segundo um documento municipal a que a Lusa também teve acesso, o corte solicitado pela Metro do Porto foi aceite pelos serviços técnicos da Câmara do Porto, mas o condicionamento apenas era válido "após a receção de uma notificação final por parte dos serviços municipais".
Assim, Rui Moreira refere que "em 27 de setembro foram emitidas as taxas correspondentes à ocupação de via pública, tendo a Metro do Porto procedido ao respetivo pagamento", mas sem que tivesse sido dada a autorização final, o empreiteiro "efetuou um aditamento ao pedido inicial de condicionamento, visando as retificações necessárias que não tinham sido devidamente consideradas pela Metro do Porto".
No pedido adicional, foi pedida a supressão da faixa BUS na Via Panorâmica, mas os serviços da Câmara obrigaram a uma manutenção de pelo menos 200 metros de via, faltando então a subsequente autorização final.
"De forma extemporânea, e de um modo sem precedentes, a Metro do Porto informou indevidamente a população sobre as alterações subsequentes que iriam ocorrer, se houvesse autorizações emitidas para o efeito. Esta atitude comprometeu a cooperação institucional entre as entidades envolvidas", vincou Rui Moreira a Tiago Braga.
O autarca independente fala ainda em "falta de coerência na comunicação" da transportadora relativamente aos condicionamentos anunciados, dizendo que "mais uma vez a Metro do Porto gerou confusão na preparação dos pedidos de ocupação de via pública, sobrepondo uns aos outros".
"Esta situação reflete um planeamento que carece de rigor e eficácia, especialmente numa empreitada de tal magnitude, comprometendo o adequado faseamento das diferentes etapas da obra", considerou Rui Moreira.
A Lusa contactou fonte da Metro do Porto, que não quis comentar o teor da carta.
Em causa está o anúncio, pela transportadora, de que a Via Panorâmica estaria condicionada a partir de quarta-feira (23 de outubro), sendo os movimentos rodoviários e pedonais assegurados por uma nova via provisória que iria funcionar enquanto desvio alternativo para automóveis e peões.
Porém, um dia depois a Câmara do Porto revelou que não tinha autorizado o condicionamento, que ainda estava "em apreciação pelos serviços municipais da Mobilidade, considerando o forte impacto que terá nos acessos ao Porto, pela Ponte da Arrábida, e nos acessos ao Campus Universitário do Campo Alegre".
O valor global de investimento da Linha Rubi (Casa da Música-Santo Ovídio, incluindo nova ponte sobre o rio Douro) é de 435 milhões de euros, um investimento financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
A Linha Rubi, com 6,4 quilómetros e oito estações, inclui uma nova travessia sobre o Douro, a ponte D. Antónia Ferreira, a Ferreirinha, que será exclusivamente reservada ao metro e à circulação pedonal e de bicicletas.
Em Gaia, as estações previstas para a Linha Rubi são Santo Ovídio, Soares dos Reis, Devesas, Rotunda, Candal e Arrábida, e, no Porto, Campo Alegre e Casa da Música.
A empreitada tem de estar concluída até ao final de 2026.
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