Medida leva ao cancelamento, em 2026, dos eventos Festival do Maio, Seixal World Music e Splash Seixal, os quais regressarão em 2027.
A Câmara Municipal do Seixal, no distrito de Setúbal, anunciou esta quinta-feira o cancelamento de alguns eventos culturais, canalizando as verbas para a reconstrução de infraestruturas devastadas pelo mau tempo.
Em comunicado, o presidente da autarquia, Paulo Silva, explica que apesar de esperar um apoio monetário do Governo para a reconstrução das infraestruturas danificadas pelas várias intempéries, decidiu, no imediato, alocar meios financeiros que estavam afetos a outras áreas para a reconstrução das infraestruturas danificadas pelas intempéries.
Esta medida leva ao cancelamento, em 2026, dos eventos Festival do Maio, Seixal World Music e Splash Seixal, os quais regressarão em 2027.
"Neste momento, a prioridade da Câmara Municipal do Seixal é reerguer aquilo que ficou destruído, e por essa razão decidimos utilizar as verbas que normalmente são utilizadas na realização de grandes eventos no concelho do Seixal para iniciarmos, enquanto não chega o esperado apoio governamental, as obras de reconstrução das várias infraestruturas danificadas, as quais são urgentes e muito necessárias para repor a normalidade na vida de todos nós", explica o autarca.
Segundo a autarquia, as intempéries das últimas semanas provocaram danos em infraestruturas escolares, desportivas, culturais e rodoviárias um pouco por todo o concelho do Seixal, o que levou o município a ativar o Plano Municipal de Emergência.
Paulo Silva adianta que o valor total dos prejuízos ainda não está totalmente fechado, mas estima que ronde os 15 milhões de euros.
No comunicado, o autarca faz um agradecimento público a todos os trabalhadores municipais pelo esforço contínuo na resolução das ocorrências registadas, garantindo a segurança da população e a reposição gradual da normalidade nas áreas afetadas, assim como às forças de segurança e de proteção civil.
O concelho do Seixal foi um dos territórios da península de Setúbal onde as intempéries tiveram impacto, quer em infraestruturas públicas, quer em espaços privados, com o registo de várias inundações.
No dia 11 de fevereiro, uma rua na localidade de Vale de Milhaços, no concelho do Seixal, ficou inundada, afetando várias casas na sequência do rebentamento de uma bacia de retenção.
A avenida da Fábrica da Pólvora, na freguesia de Corroios, já tinha ficado inundada na semana anterior e, pelo menos uma família teve de ser realojada pelo município.
Na altura, questionado pela Lusa sobre como os moradores seriam ressarcidos pelos estragos causados pela inundação, o presidente da câmara do Seixal disse que o caso já tinha sido apresentado à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) de Lisboa e Vale do Tejo.
A Estrada Nacional 378, que liga os concelhos do Seixal e Sesimbra teve de ser cortada devido a inundações que provocaram também o colapso das bermas, obrigando a uma intervenção de emergência.
Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
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