page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Setor do turismo reconhece necessidade de conciliar atividade com os moradores de Lisboa

Ideia de que o turismo "é o responsável de todos os problemas" foi recusada.

03 de outubro de 2024 às 19:54

Responsáveis pelo setor turístico reconheceram, esta quinta-feira, que é necessário conciliar a atividade com os moradores na cidade de Lisboa, mas recusaram a ideia de que o turismo "é o responsável de todos os problemas".

A ideia foi manifestada esta tarde durante uma sessão pública que decorreu no Museu do Design (MUDE), em Lisboa, e que marcou o arranque de um ciclo de conferências que visa discutir a construção da Estratégia do Turismo 2035.

Na abertura da sessão, o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, sublinhou a importância económica do turismo, que tem registado um crescimento da receita, mas alertou para a ocorrência de transformações, que colocam desafios à atividade.

"O mundo mudou e apresenta desafios transversais. Temos a pressão turística sobre os recursos, como os hídricos, como aconteceu no Algarve. Temos a agenda climática e os sistemas de mobilidade. A abertura de novas rotas e os destinos emergentes", sintetizou.

Também presente nesta sessão, o vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Filipe Anacoreta Correia, defendeu a necessidade de consolidar o crescimento da atividade turística, mas que a acompanhar essa tendência esteja a "pacificação da convivência com os moradores da cidade".

"Os dados são animadores. Está a crescer em valor o turismo de qualidade. Há qualidade nos serviços e nas respostas. Por exemplo, a questão da limpeza urbana. Os turistas consideram a cidade de Lisboa limpa", apontou o autarca.

O vice-presidente da Câmara de Lisboa deu ainda como exemplo o debate que tem existido entre o município e os operadores de 'tuk tuk', no sentido de "introduzir melhorias na qualidade do serviço prestado" e "evitar constrangimentos na circulação dentro da cidade".

A questão da convivência entre a atividade turística e o quotidiano dos moradores da capital foi também uma das questões abordadas pela presidente da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa, Carla Salsinha.

A responsável defendeu que o turismo é a atividade "mais transversal e inclusiva" e acusou alguns 'opinion makers' de tentarem "atribuir a responsabilidade de todos os problemas que existem a este setor", fazendo também referência a um protesto que está agendado para o dia 9 "contra o turismo desregulado".

"Algum setor aposta no interior como o turismo? Existe algum setor que tenha uma valorização salarial como o turismo? O problema da mobilidade é do turismo? O problema da habitação é do turismo? Está-se a transpor para o turismo essa culpabilização", apontou.

Contudo, Carla Salsinha reconheceu a necessidade de exercer "alguma regulação", como a gestão de fluxos turísticos e a entrada em museus.

Meia centena de pessoas subscrevem um manifesto contra o "turismo descontrolado" em Lisboa e apelam à mobilização para um protesto sonoro no dia 9 de outubro, em seis locais da capital, incluindo os edifícios da câmara municipal.

A ação vai decorrer entre as 09h00 e as 13h00, na Praça do Município, edifício da Câmara de Lisboa no Campo Grande, Chiado, São Pedro de Alcântara, Portas do Sol e Avenida da Liberdade.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Boa Tarde

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8