"É nestas alturas em que temos uma conjuntura favorável que devemos introduzir pontos que salvaguardem a nossa parte", afirmou o coordenador do Sindicato.
Um dos sindicatos representativos dos trabalhadores portugueses da Base das Lajes, nos Açores, defendeu esta terça-feira que o Governo português deve aproveitar a conjuntura atual para reivindicar a revisão do Acordo Laboral junto dos Estados Unidos da América (EUA).
"É nestas alturas em que temos uma conjuntura favorável que devemos introduzir pontos que salvaguardem a nossa parte. E se o Estado português não o fizer agora está a perder uma grande oportunidade", afirmou, em conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, o coordenador do Sindicato das Indústrias Transformadoras, Alimentação, Comércio e Escritórios, Hotelaria, Turismo e Transportes dos Açores (SITACEHTT), Vítor Silva.
Com o conflito dos Estados Unidos e de Israel com o Irão, iniciado em 28 de fevereiro, a Base das Lajes tem registado um aumento do movimento de aeronaves militares norte-americanas.
Segundo Vítor Silva, a conjuntura atual veio comprovar que, "ao contrário do que se queria fazer passar", a Base das Lajes não perdeu importância geoestratégica.
Portugal deve, por isso, segundo o sindicalista, aproveitar o momento atual para iniciar um processo de revisão do Acordo Laboral, que inclua, entre outras matérias, a atualização das tabelas salariais, que têm níveis abaixo do salário mínimo praticado nos Açores.
"A única contrapartida visível pela utilização da Base das Lajes é efetivamente os postos de trabalho e as remunerações que resultam para os trabalhadores. E, portanto, esta seria a altura para, além da revisão da tabela salarial, assegurar um contingente mínimo de trabalhadores portugueses, porque nada, nem ninguém, nos pode assegurar que daqui a um ano ou dois não vai haver novamente um despedimento coletivo", afirmou.
Em 2015, a Força Aérea norte-americana reduziu o efetivo na Base das Lajes de 650 para 165 militares, o que levou à redução do número de trabalhadores portugueses de 900 para 450.
Desde 2021 que o sindicato alerta para o facto de alguns níveis da tabela salarial dos trabalhadores portugueses apresentarem valores abaixo do salário mínimo nacional e do salário mínimo regional nos Açores, que tem um acréscimo de 5%.
Segundo Vítor Silva, atualmente existem 11 funcionários com o vencimento base abaixo de 966 euros, mas o número pode aumentar com a subida do salário mínimo nacional, em janeiro.
"É vergonhoso que, em território português, trabalhadores nacionais vejam os seus direitos mais elementares, como o direito a uma remuneração justa e atempada pelo seu trabalho, serem ignorados", vincou.
Foi criado um suplemento para assegurar que nenhum trabalhador auferia um valor abaixo do salário mínimo, mas há funcionários com 10 e 15 anos de serviço que viram o valor das diuturnidades absorvido pelo salário mínimo.
"Aquilo que foi feito é extremamente injusto e discriminatório para alguns trabalhadores", salientou o dirigente sindical.
Para o coordenador do SITACEHTT, bastaria definir que o valor mais baixo da tabela não podia ser inferior ao salário mínimo regional para resolver o problema.
Vítor Silva sublinhou que a remuneração dos trabalhadores portugueses na Base das Lajes é "cerca de 25% inferior" à praticada noutras bases utilizadas pelos Estados Unidos na Europa.
O dirigente sindical alertou ainda para outras questões laborais que necessitam de ser corrigidas no Acordo Laboral, que não é revisto desde 1995, como o acesso à justiça ou o acesso a licenças de maternidade e a saúde e segurança do trabalho.
"O acordo é de 1995. Trinta anos depois não há nada a ser mudado, não há nada a ser corrigido? Sabem quantas vezes a legislação portuguesa do trabalho já foi corrigida desde esta altura para cá", questionou.
O SITACEHTT reivindicou uma "atitude de maior firmeza e determinação" do Estado português e uma "intervenção mais eficiente e mais célere do próprio Governo Regional" na Comissão Bilateral entre Portugal e os Estados Unidos.
"Se os Estados Unidos pretendem manter esta relação, continuando a usufruir das valências e localização estratégica, é no mínimo imprescindível que tratem a força laboral portuguesa com respeito, sendo fundamental, no imediato, uma revisão laboral mais profunda", reiterou.
O sindicato vai solicitar reuniões aos partidos com representação na Assembleia da República para apelar a uma mudança de paradigma na gestão das relações laborais na Base das Lajes.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.