Sindicato considera que "a solução encontrada para chegar liquidez à empresa de modo a que esta pudesse fazer face às suas responsabilidades, é uma solução única, portanto não repetível".
O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (Sitava) disse, esta terça-feira, que a resolução do problema de liquidez na Groundforce, que permitiu o pagamento dos salários em atraso, é uma "vitória parcial" para os trabalhadores.
A estrutura explica que fala de "uma vitória parcial", porque considera que "a solução encontrada para chegar liquidez à empresa de modo a que esta pudesse fazer face às suas responsabilidades, é uma solução única, portanto não repetível".
O Sitava questionou depois "como é que se vai resolver a situação nos meses seguintes", garantindo que a SpDH/Groundforce "é uma empresa saudável, sem qualquer desequilíbrio estrutural que a coloque em risco económico".
Para o sindicato, "essa realidade demonstra-nos que a crise que estamos a atravessar é conjuntural e por isso superável, assim queiram os acionistas, principalmente o acionista maioritário que por isso mesmo tem muito mais responsabilidades".
"Parece-nos óbvio que capitalistas sem capital muito dificilmente poderão fazer parte de qualquer solução, e se esses capitalistas adotarem como forma de vida enganar o próximo, então ainda menos. Não podemos esquecer que vivemos os últimos vinte dias a assistir ao tal capitalista (como ele próprio se intitulou) a tentar iludir o país em geral e os trabalhadores em particular", disse o Sitava, referindo-se a Alfredo Casimiro, da Pasogal, maior acionista da Groundforce, com 50,1% do capital.
O sindicato defende que "uma grande empresa como a SpDH/Groundforce, com a importância que tem na economia nacional e particularmente no ecossistema do turismo, não pode estar nas mãos de aventureiros, sobretudo de aventureiros falidos que em boa verdade nunca deveriam ter entrado na empresa", acrescentando que "a necessária estabilidade da nossa empresa só será conseguida se o outro acionista o minoritário deixar de o ser, ainda que provisoriamente".
No dia 18 de março, a Plataforma de Sindicatos de Terra do Grupo TAP defendeu que a solução para o problema da Groundforce "passará sempre por eliminar" o acionista privado, Alfredo Casimiro, que "não tem qualquer condição" para continuar.
"Uma solução passará sempre por eliminar este acionista privado. Não nos compete a nós encontrar alternativa, mas temos essa perceção", afirmou o presidente da plataforma de sindicatos, André Teives, na comissão parlamentar de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação.
Na ótica da plataforma de sindicatos de terra, Alfredo Casimiro "não tem qualquer condição" para continuar na Groundforce, que detém em 50,1% (os restantes 49,9% são detidos pelo grupo TAP).
Por sua vez, o Sitava, também ouvido pela mesma comissão parlamentar, defendeu que qualquer solução de futuro para a empresa de 'handling' (assistência em aeroportos) tem de manter a "ligação umbilical" que atualmente tem com a TAP, acionista e seu principal cliente.
Por parte do Sindicato dos Aeroportos de Manutenção e Aviação (STAMA), João Eusébio Varzielas acusou a gestão de Alfredo Casimiro de não ter sido "nada eficaz".
"A empresa engordou e muito [com Alfredo Casimiro], não nas áreas em que deveria ter crescido, engordou em áreas operacionais, em valores que se cifram nos 11 milhões ao ano, [mas] a recuperação de que tanto se fala foi unicamente feita à custa da depreciação do acordo de empresa em 2012", apontou o responsável do STAMA.
A Comissão de Trabalhadores (CT) da Groundforce, representada por Erasmo Vasconcelos, sublinhou, ainda, que o "Estado e o senhor Casimiro não podem ser apenas acionistas para retirada de dividendos", e considerou "inaceitável" que uma empresa que dá lucros e que é estratégica para a economia esteja a passar pelo "drama" que está a viver.
A Groundforce e a TAP chegaram nesse dia a um entendimento que desbloqueia provisoriamente o impasse na empresa e permite pagar os salários aos 2400 trabalhadores, informou fonte oficial da Pasogal, esta terça-feira.
A Pasogal disse ainda que "resolvida a urgência", "continuará a empenhar os seus melhores esforços, certamente com o apoio dos acionistas Pasogal e TAP, no sentido de resolver a questão de fundo".
A TAP compra equipamentos da SPdH/Groundforce por cerca de sete milhões de euros, o que permitiu desbloquear o pagamento dos salários e impostos em atraso, passando a empresa de 'handling' a pagar à companhia aérea pelo aluguer deste material.
Os trabalhadores da Groundforce ficaram a saber, no final de fevereiro, que devido ao impacto da pandemia, a empresa não tinha dinheiro para o pagamento de salários e iniciaram uma série de manifestações a pedir a intervenção do Governo.
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