Protestos irão acontecer em frente ao Ministério da Educação para pedir o reforço da comparticipação paga pelo Estado.
Numa situação financeira que dizem estar a tornar-se insustentável, os colégios de ensino especial saem à rua na segunda-feira em protesto, em frente ao Ministério da Educação, para pedir o reforço da comparticipação paga pelo Estado.
São a última solução do Estado para cerca de 500 crianças com necessidades educativas especiais quando a escola pública não consegue dar resposta, mas as dificuldades financeiras são cada vez mais sufocantes e os diretores não sabem durante quanto tempo vão conseguir manter os colégios abertos.
"Não sabemos até quando é que conseguimos, mas o futuro da escola claramente está em causa", disse à Lusa Isabel Beirão, diretora do Colégio Eduardo Claparède, em Lisboa, onde estudam 83 alunos.
No final de 2022, o Colégio Eduardo Claparède -- um dos cinco com contratos de cooperação com o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) -- informou os pais que em janeiro não reabriria portas, após declarar insolvência.
Na altura, o valor da comparticipação paga por aluno aos colégios de ensino especial não sofria alterações desde 2008 e a instituição tinha chegado ao limite.
Para evitar o encerramento, o Governo, então liderado por António Costa, aumentou de 511,89 para 651,26 euros o valor pago por mês por aluno, com o compromisso de um novo aumento no ano seguinte, que não se concretizou devido à queda do Governo.
Já sob a tutela de um novo ministro, os colégios de ensino especial voltaram a procurar ajuda junto do Governo e chegaram a ser recebidos em janeiro de 2025, mas não tiveram, desde então, novidades da equipa liderada por Fernando Alexandre.
"O Estado utiliza estas escolas porque não tem resposta a nível estatal. Devia garantir as condições mínimas para que conseguissem funcionar e não estivessem sempre à beira da insolvência, mas não as dá. Não nos recebe, não conversa, não dá qualquer resposta", lamenta Isabel Beirão.
À semelhança do Eduardo Claparède, também os outros quatro colégios de ensino especial com contratos de cooperação com o Governo recebem alunos, encaminhados pelo MECI, cuja condição não lhes permite que sejam acompanhados na escola pública.
São maioritariamente crianças e jovens com perturbação do espetro do autismo de nível 2 e 3, mas recebem também alunos com paralisia cerebral, perturbações mentais ou comportamentais.
Perante a falta de financiamento, as dificuldades dos colégios são partilhadas e as estratégias de gestão semelhantes, num contexto em que a qualidade dos cuidados prestados nunca pode ser posta em causa.
"As infraestruturas são o que sofre mais e os vencimentos não são equiparados aos do público. As pessoas estão por missão, todos estamos por missão, porque queremos muito estar aqui e porque sabemos que somos muito necessários", diz Joana Reis, diretora do colégio As Descobertas, em Lisboa, que recebeu este ano cerca de 60 alunos.
Também a diretora do Centro de Intervenção Técnico-Pedagógica, em Casal de Cambra (Sintra) admite que não tem possibilidade de dar aos funcionários as condições que consideraria justas e, apesar de conseguir manter uma equipa coesa, sublinha que não é possível "fazer face às despesas só com o coração" e a possibilidade de perder pessoas no final do ano letivo preocupa-a.
"Estes alunos precisam de estabilidade, é isso que faz a diferença. Muitos demoram meses para que consigam estabelecer relação com um técnico. Se a perdem, é começar novamente do zero", explica.
Com 67 alunos, a situação no colégio Bola de Neve, em Lisboa, "já é de défice há algum tempo", conta o diretor, Gonçalo Pimentel, assumindo atrasos no pagamento a fornecedores.
No Alfredo Binet, também em Lisboa, tem sido necessário recorrer a empréstimos para manter aberto o externato, frequentado por mais de uma centena de alunos, e as infraestruturas e a valorização do pessoal, como nos restantes, têm de ficar para segundo plano.
Com 70 anos, a diretora Fernanda Martins admite cansaço, mas teme que o seu afastamento possa significar o encerramento da escola. Sem um reforço do financiamento, o desfecho poderá ser mesmo esse, apesar do seu esforço.
Segundo a Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP), um reforço anual de 2,1 milhões de euros (0,03% da verba do Orçamento do Estado para a Educação) seria suficiente para garantir o funcionamento destes colégios.
Em outubro, o Governo anunciou um reforço de 2,9 milhões de euros para a educação especial, mas, segundo o diretor executivo da AEEP, que acusou o executivo de ter sido "muito pouco sério" quando anunciou a medida, a verba destinada aos colégios apenas permitiu acautelar um aumento do número de alunos que não tinha sido previsto pela Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares.
"Isto não é sustentável", insistiu Rodrigo Queiroz e Melo, alertando que sem o reforço que diretores, professores e famílias vão defender em frente ao Ministério da Educação na segunda-feira, todos os colégios vão, mais cedo ou mais tarde, acabar por fechar.
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