Novo líder da CGTP foi pai com 23 anos. É descrito como "curioso, humilde, solidário e muito preocupado com os outros".
Mecânico de pesados, Tiago Oliveira, 43 anos, foi eleito secretário-geral da CGTP e, apesar de ser uma pessoa de quem é fácil gostar e ficar amigo, não vacilará perante patrões e Governo, afirma quem o conhece.
Casado e com uma filha de 20 anos a terminar a faculdade, Tiago Oliveira tem desenvolvido até agora a sua atividade sindical no norte do país, mas vai passar a andar entre Lisboa e São Mamede de Infesta (Matosinhos), onde reside, conciliando as novas funções com a vida familiar.
Tiago Oliveira não se vai mudar para Lisboa, onde está sediada a CGTP, mas isso não será um problema para o cumprimento das funções inerentes ao cargo de líder da maior central sindical do país, asseguram fontes sindicais à Lusa.
O novo líder da CGTP "tem muitas qualidades humanas e sindicais" e uma delas é ser "determinado e firme", disse o histórico sindicalista João Torres, que trabalhou com Tiago Oliveira na direção da União de Sindicatos do Porto (USP).
Filho do também sindicalista Américo Oliveira, o nortenho nascido em Matosinhos concluiu o 9.º ano de escolaridade e frequentou um curso profissional de eletromecânica que lhe abriu as portas da Auto Sueco, na Maia, quando tinha apenas 17 anos. Cinco anos depois, foi eleito delegado sindical pelos colegas da empresa.
Passou a ser sindicalista a tempo inteiro em 2006 quando ingressou na direção do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Norte (Site-Norte) e, mais tarde, sucedeu a João Torres no cargo de coordenador da USP, onde estava há 14 anos.
"Conheço o Tiago há quase 20 anos e sempre vi nele qualidades humanas e sindicais que me agradavam. É muito coerente, um jovem curioso, humilde, solidário e muito preocupado com os outros, de relacionamento muito fácil", afirmou João Torres.
Apesar de ser uma pessoa "de quem é fácil gostar e ficar amigo", o novo líder da intersindical "não vacilará" perante os patrões ou o Governo na luta pelos direitos dos trabalhadores, assegurou João Torres.
Também Sérgio Sales, dirigente do Site-Norte, destacou "a capacidade diplomática e para o diálogo" de Tiago Oliveira e a sua vontade de "fazer pontes" entre os dois lados da barricada, realçando o contributo do sindicalista na luta dos trabalhadores contra a privatização da Efacec.
Além da Efacec, os camaradas de Tiago Oliveira destacam a sua participação nas greves da extinta Petrogal, em Leça da Palmeira, e nos protestos realizados na Cerâmica de Valadares, além das realizadas na Auto Sueco, empresa onde decorre hoje uma greve por melhores condições de trabalho.
Tiago Oliveira, que sucede a Isabel Camarinha na liderança da CGTP, é o terceiro secretário-geral do norte, tal como Manuel Carvalho da Silva, que assumiu a liderança da central com 34 anos de idade e que esteve na à frente da CGTP entre 1986 e 2012 e como Armando Teixeira da Silva (1974-1986).
O novo secretário-geral da CGTP é próximo do PCP, integrando o comité central do partido, tendo sido eleito pela CDU nas últimas eleições autárquicas para a assembleia de freguesia de São Mamede de Infesta e Senhora da Hora (Matosinhos).
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