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Torres Vedras cria grupo de trabalho para resolver problema das inundações

IPMA prevê chuva, neve, vento e agitação marítima nos próximos dias devido à passagem da depressão Ingrid por Portugal continental.

22 de janeiro de 2026 às 12:06

A falta de limpeza de rios e esgotos pluviais tem provocado inundações em Torres Vedras quando há situações de mau tempo, levando o novo executivo camarário a criar um grupo de trabalho para diagnosticar e resolver o problema.

Desde novembro, por diversas vezes, têm ocorrido cheias em diversos pontos do concelho provocadas pelo galgamento do Rio Sizandro e pela forte precipitação.

Neste contexto, o município do distrito de Lisboa criou um grupo de trabalho para estudar o estado dos rios e das árvores, através de um levantamento georreferencial, e apontar soluções para "atacar os problemas".

"O problema é que a limpeza do rio não é feita há vários anos em locais em que se percebe à vista que estão entupidos. Temos vindo a minimizar o problema sempre que há mau tempo, mas estamos sem solução enquanto não houver uma limpeza do rio", explicou o vice-presidente da câmara, Diogo Guia, à agência Lusa.

"Temos os solos saturados de água e não há capacidade de escoamento", acrescentou.

Em meados de novembro, durante a tempestade Cláudia, registaram-se cheias ao longo do Rio Sizandro, afetando sobretudo a cidade de Torres Vedras e a localidade de Ponte do Rol.

"Choveu numa hora mais do que chove normalmente num mês e houve problemas sérios de alagamento na cidade, nomeadamente junto à Escola São Gonçalo", sublinhou.

"Nunca vi tanta água e ruas fechadas e estive numa casa em Gibraltar [freguesia da Ponte do Rol] com água pelos joelhos", contou o autarca.

Na ocasião, em conjunto com os meios da Proteção Civil, efetuou uma "visita exaustiva" a todo o curso do rio desde a cidade até à foz para "verificar as razões para o que se está a passar" e foi detetado "entupimento de um assoreamento junto à escola".

"O facto de se ter resolvido isto após a tempestade permitiu que esse cenário não ocorresse" na cidade durante o mau tempo do início de dezembro.

Na Assembleia Municipal extraordinária de 10 de dezembro, o presidente da Junta de Freguesia da Ponte do Rol, Pedro Vaza, alertou que a "água esteve junto às casas", o que "não é normal", apelando ao município para estudar as razões e ponderar avançar com uma limpeza do rio.

Em novembro, "houve uma cheia, o rio despejou e a baixa da Ponte do Rol já não tinha água. Mas, desta vez [dezembro] o alagamento foi diferente, a água baixou em diversos sítios e na Ponte do Rol não baixou", afirmou.

Na quinta-feira, o Rio Sizandro voltou a galgar as margens, inundando campos agrícolas, o parque verde, uma estrada secundária, onde um veículo ficou impedido de circular e o seu condutor teve de ser retirado pelos bombeiros, e uma habitação na localidade de Ponte do Rol.

Segundo o autarca, os meios da Proteção Civil encontram-se "em prevenção e em prontidão" a partir desta quinta-feira e até domingo, tendo em conta o previsível agravamento do estado de tempo pela aproximação da tempestade Ingrid.

Nas eleições autárquicas de 12 de outubro, Torres Vedras foi uma das sete câmaras municipais no país a mudar pela primeira vez de cor política, passando do PS para a coligação "Unidos por Torres Vedras" (PSD/CDS-PP/Volt), que ganhou com maioria absoluta na câmara - agora liderada por Sérgio Galvão - e na assembleia municipal.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) emitiu para o distrito de Lisboa alerta laranja até às 21h00 de sexta-feira e alerta vermelho, entre as 21h00 horas de sexta-feira e as 19h00 horas de sábado, devido à agitação marítima, e alerta amarelo para o vento, até às 15h00 de sábado.

O IPMA prevê chuva, neve, vento e agitação marítima nos próximos dias devido à passagem da depressão Ingrid por Portugal continental.

"Na tarde de quinta-feira, dia 22, prevê-se a passagem do sistema frontal associado a esta depressão, com períodos de chuva por vezes forte, passando a regime de aguaceiros a partir da noite, que serão por vezes de granizo e acompanhados de trovoada, situação que se prolongará até domingo, dia 25", referiu o instituto, em comunicado.

O instituto prevê que o vento se intensifique a partir desta quinta-feira à tarde, "soprando por vezes com rajadas da ordem dos 70 a 80 km/h no litoral e 80 a 100 km/h nas terras altas".

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