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Trabalhadores exigem "uma revisão salarial digna".
Os trabalhadores da EMEL - Empresa de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa decidiram esta segunda-feira , em plenário nos Paços do Concelho da Câmara Municipal, avançar com uma greve parcial de 22 a 25 de junho, exigindo "uma revisão salarial digna".
A resolução aprovada em plenário de trabalhadores foi entregue à Câmara Municipal de Lisboa (CML), acionista única da EMEL, para exigir o retomar das negociações do Caderno Reivindicativo da empresa, com "uma proposta séria" de aumento salarial, afirmou Orlando Gonçalves, dirigente sindical do CESP - Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal.
Em declarações à agência Lusa, o sindicalista disse que "é inaceitável" a proposta do Conselho de Administração da EMEL de um aumento salarial de 25 euros, referindo que tal representa "0,5% do orçamento da EMEL" e, por isso, "é uma falácia" dizer que o problema é o aumento dos salários.
Os trabalhadores sugeriram "150 euros de aumento", adiantou o responsável do CESP, acrescentando que o Caderno Reivindicativo da EMEL inclui "mais uma série de matérias", como o trabalho noturno e a penosidade, bem como a implementação das diuturnidades, ou seja, a valorização da antiguidade, compromisso que já foi assumido anteriormente pelo Conselho de Administração, mas que "ainda não foi cumprido".
Antes do plenário desta segunda-feira, os trabalhadores tiveram um outro há pouco mais de uma semana, concretamente no dia 21 de maio, em que entregaram um abaixo-assinado com mais de 350 assinaturas e uma resolução dirigida ao presidente da CML, Carlos Moedas (PSD), a exigir medidas imediatas quanto à negociação do Caderno Reivindicativo da EMEL.
Os trabalhadores exigiram ser recebidos esta segunda-feira por Carlos Moedas, mas tal não aconteceu, expôs Orlando Gonçalves, indicando que nos Paços do Concelho estava o Conselho de Administração da EMEL, presidido por Carlos Silva, que transmitiu que "não tem capacidade de aumentar mais do que 25 euros".
"De uma forma um pouco encapotada, dando a entender que, se aumentasse mais, podia haver despedimentos de trabalhadores, o que não nos parece sequer aceitável: milhões e milhões de lucros que tem dado a EMEL, milhões e milhões de investimento em Lisboa com o dinheiro da EMEL, só não há dinheiro para aumentar os trabalhadores", declarou o dirigente sindical.
Contestando a "intransigência e desrespeito" por parte do Conselho de Administração da EMEL, com a apoio da CML, os trabalhadores aprovaram uma resolução para avançar com uma greve parcial de 22 a 25 de junho, de duas horas diárias, e um novo plenário no dia 26 de junho, nos Paços do Concelho, informou Orlando Gonçalves.
"Neste momento, o que pedimos é que apresentem uma proposta séria, digna de valorização dos trabalhadores, e os trabalhadores estão cá para negociar", frisou o sindicalista do CESP.
O plenário desta segunda-feira contou com a participação de cerca de 100 trabalhadores da EMEL, de um total de 800, referiu o dirigente sindical, acrescentando que, atualmente, o salário mínimo praticado nesta empresa municipal ronda os 1.000 euros, valor que está "muito abaixo" do custo de vida na cidade de Lisboa.
"Cada vez mais, infelizmente, temos trabalhadores que estão a trabalhar e, mesmo assim, estão no limiar da pobreza, porque [o salário] não chega para pagar as contas", expôs.
Na resolução aprovada esta segunda-feira, os trabalhadores da EMEL afirmam ainda que "apoiam e votam a sua participação na greve geral, pela derrota do pacote laboral", convocada para quarta-feira, dia 03 de junho.
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