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Trabalhadores do INEM alertam que horas extraordinárias em Lisboa já atingem 60% este mês

Coordenador da Comissão de Trabalhadores revelou que o INEM aguarda autorização da tutela para ultrapassar o teto de 60% de horas extraordinárias.

08 de janeiro de 2026 às 21:22

O coordenador da Comissão de Trabalhadores (CT) do INEM alertou esta quinta-feira que muitos profissionais já atingiram 60% do limite mensal de horas extraordinárias em Lisboa, impossibilitando a abertura de mais meios de emergência e revelando fragilidades na capacidade operacional.

"Das 16 ambulâncias que queríamos ter, temos duas. E com trabalho extraordinário conseguimos completar seis", explicou Rui Gonçalves que foi esta quinta-feira ouvido na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao INEM para apurar responsabilidades durante a greve no final de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

O responsável reiterou que o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) vive um "défice crónico de recursos humanos" que obriga a recorrer sistematicamente a horas extraordinárias para manter alguma operacionalidade.

"Não conseguimos abrir mais meios de emergência além destes seis, porque muitos trabalhadores já estão no limite dos 60% mensais", afirmou.

Segundo o coordenador da CT do INEM, o início de 2026 não tem sido "tranquilo".

"O limite mensal está a ser atingido agora e não conseguimos dar mais resposta do que isto", sublinhou.

Rui Gonçalves revelou que o INEM aguarda autorização da tutela para ultrapassar o teto de 60% de horas extraordinárias.

"Estamos à espera da autorização para ir aos 80%, 100% ou o que for", disse, reconhecendo que "vai continuar sempre a ser necessário trabalho extraordinário, porque das 16 ambulâncias, só duas estão em trabalho normal".

A situação torna impossível reforçar meios em zonas críticas, como o Seixal ou a Margem Sul.

"Como é que vamos reforçar se os trabalhadores já estão a 60% do extraordinário? Não é possível", reiterou.

O planeamento até ao final do mês de janeiro já prevê que todos os profissionais disponíveis atinjam o limite.

O coordenador destacou o contraste com o Norte, onde a estabilidade de recursos humanos permitiu eliminar quase totalmente a inoperacionalidade.

Já em Lisboa continua a ser a região mais afetada, devido à falta de profissionais e à pressão acumulada.

Rui Gonçalves, que esteve a ser ouvido durante mais de três horas no parlamento, recordou ainda que os concursos recentes ficaram muito aquém das necessidades.

"Houve um concurso para 200 técnicos [de emergência pré-hospitalar]. Entraram 200, mas só 149 chegaram ao fim. Depois ainda fomos buscar mais 25 ou 30, mas nunca chegámos aos 200", disse, recordando que o concurso mais recente para Lisboa e Vale do Tejo teve um resultado ainda mais preocupante, com a contratação de 89 profissionais.

O responsável denunciou ainda pressões externas que "descredibilizam sistematicamente" o INEM, referindo que os profissionais têm sido usados como "bode expiatório".

"Os profissionais do INEM continuam a ser utilizados como bode expiatório, como aconteceu na segunda-feira. Conseguimos repor a verdade, mas há movimentações de pressão sobre o INEM e os seus profissionais que se arrastam há muito tempo", frisou.

O trabalho da CPI envolve cerca de 90 entidades e personalidades convidadas, muitas das quais apresentarão contributos por escrito.

A CPI foi aprovada em julho por proposta da Iniciativa Liberal. É composta por 24 deputados e tem 90 dias para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM.

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