Além do problema com a frota, os SMTUC continuam com dificuldades em contratar e reter motoristas, tendo acabado o ano com 282 motoristas, menos 11 do que em 2024.
Os Serviços Municipalizados dos Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) registaram uma quebra de 6,1% de passageiros (menos 752 mil) em 2025, interrompendo o crescimento contínuo registado desde a pandemia, segundo relatório de gestão.
Desde 2022, que os SMTUC registavam um aumento de passageiros na ordem dos dois dígitos, aproximando-se cada vez mais dos 13 milhões de passageiros transportados anualmente registados em 2019, antes da pandemia.
Esse crescimento contínuo foi interrompido em 2025, com uma quebra de 6,1%, passando de 12,25 milhões de passageiros transportados em 2024 para 11,5 milhões de passageiros em 2025, refere o relatório de gestão dos SMTUC relativo ao ano de 2025 consultado pela agência Lusa, que foi aprovado na segunda-feira, em reunião do executivo da Câmara de Coimbra.
O documento, ainda assinado pelo conselho de administração (CA) anterior (a atual administração apenas tomou posse no início de janeiro), dá nota da quebra da procura, justificando a redução de passageiros transportados pelo aumento "em mais de 200% de dias de absentismo por greve", num ano marcado por vários dias de luta dos trabalhadores dos SMTUC por melhorias salariais e reposição da carreira.
O anterior CA aponta também para a entrada em serviço do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) na reta final do ano e para a dispensa de "um significativo número" de motoristas (cerca de 60) que foram candidatos às eleições autárquicas de outubro de 2025, que "obrigou a ajustamentos na oferta".
Os rendimentos operacionais também diminuíram cerca de 4,5% face a 2024, em linha com a redução de gastos operacionais em 5,5%, registando, no final de 2025, um resultado operacional negativo de cerca de 800 mil euros, refere o documento.
Os rendimentos com a gestão pelos SMTUC dos parques de estacionamento e parcómetros da cidade diminuíram 4,9% face a 2024, para um total de 1,1 milhões de euros.
Além da redução do número de passageiros, houve também uma diminuição de 4,4% do número de quilómetros programados e de 8,5% dos quilómetros totais percorridos, fruto da otimização da rede dos SMTUC implementada entre setembro de 2024 e fevereiro de 2025, nota o relatório.
Ao mesmo tempo, houve um aumento de 78,5% do número de quilómetros perdidos por viagens programadas que não chegaram a ser realizadas, que o anterior CA justifica com falta de viaturas, greves e plenários de trabalhadores.
Apesar da escassez de recursos humanos, o anterior conselho de administração considerou que os principais constrangimentos estiveram relacionados com a gestão operacional da frota dos SMTUC.
Em 2025, a taxa de imobilização de autocarros (frota parada para manutenção) diminuiu 9,7 pontos percentuais face a 2024, mas manteve-se elevada, fixando-se em 30,1%, quando em 2024 foi de 39,8%.
Além do problema com a frota, os SMTUC continuam com dificuldades em contratar e reter motoristas, tendo acabado o ano com 282 motoristas, menos 11 do que em 2024.
De acordo com o documento, no final de 2025, os SMTUC tinham 110 linhas regulares e 1.537 pontos de paragens, com uma extensão de rede viária de 657,8 quilómetros.
No final do ano, apenas 30,6% dos pontos de paragem dos SMTUC dispunham de abrigo e 34,5% disponibilizavam informação ao público -- valores praticamente inalterados face a 2022 (em que havia um total de 1.528 pontos de paragem).
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