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Correio da Manhã

Sociedade
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Tripulantes da Ryanair alertam Governo para a não aplicação das leis nacionais

Será enviada uma carta aberta dirigida ao Presidente da República, ao Governo e ao parlamento.
28 de Março de 2018 às 13:59
Carta a tripulantes da Ryanair entregue a autoridades nacionais
Ryanair
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Carta a tripulantes da Ryanair entregue a autoridades nacionais
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Ryanair
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Os tripulantes da Ryanair vão divulgar esta quarta-feira uma carta aberta dirigida ao Presidente da República, ao Governo e ao parlamento "para alertar" para a não aplicação das leis nacionais pela companhia a trabalhadores com base em Portugal.

"Vai sair uma carta aberta para os órgãos de comunicação social em que fazemos um alerta ao senhor Presidente da República, ao senhor primeiro-ministro, ao ministro do Trabalho e aos deputados da Assembleia da República para que olhem com olhos de ver porque é uma empresa estrangeira que quer impor lei estrangeira em Portugal", informou a presidente do Sindicato Nacional Do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC).

Em declarações à agência Lusa, Luciana Passo instou ao cumprimento das "leis imperativas" nacionais, referindo-se à insistência da Ryanair em aplicar regras irlandesas a tripulações com base em Portugal.

A dirigente perspetivou uma "adesão muito, muito grande" à greve dos tripulantes da Ryanair marcada para quinta-feira, domingo e quarta-feira (dia 04 de abril).

Sobre a possibilidade levantada numa comunicação da Ryanair aos tripulantes de deslocalizar aviões das quatro bases de Portugal se a greve avançar, a dirigente sindical considerou tratar-se de "uma ameaça".

"Isso é uma ameaça, ou seja, mais uma vez a Ryanair está a ir contra os direitos que estão consignados" e "está mais uma vez a pressionar e é justamente sobre esta pressão sistemática que os tripulantes estão cansados", garantiu à Lusa.

"Eu percebo que a Ryanair não queira a greve, nós próprios também não queríamos ter chegado a este ponto. Bastaria que a Ryanair tivesse assinado um protocolo em que dizia que as leis fundamentais, as leis imperativas do Código de Trabalho e da Constituição iriam ser cumprida em Portugal", segundo a dirigente, reportando-se, nomeadamente, às regras sobre parentalidade.

À Lusa, Luciana Passo reafirmou que o sindicato está disposto a negociar com a transportadora, mas que está por decidir a deslocação a Dublin para uma reunião a 09 de abril, por falta de um pré-acordo e perante críticas da Ryanair sobre os participantes nas reuniões.

Às acusações de que a paralisação neste período da Páscoa foi marcada por tripulantes de outras companhias, Luciana Passo referiu que quem "vota as greves das empresas são os tripulantes dessas empresas".

A presidente do SNPVAC lamentou o "transtorno causado [pela greve], porque não é uma ação que seja fácil, nem agradável de praticar".

A Ryanair ameaçou reduzir o número de aviões nas bases que tem em Portugal se a greve dos tripulantes de cabine no período da Páscoa avançar, num memorando enviado aos trabalhadores, a que a agência Lusa teve acesso.

"Se estas greves desnecessárias avançarem, vão perder salário, prejudicar o bom nome dos tripulantes de cabine da Ryanair junto dos nossos clientes e teremos que rever o número de aeronaves atualmente baseadas em Portugal", lê-se no documento assinado por Eddie Wilson, responsável pelos recursos humanos da companhia aérea.

O mesmo responsável notou que essas deslocalizações de aviões poderão acontecer quando os aviões puderem ser desviados "para bases fora de Portugal e continuar a operar nessas rotas".
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