Washington tem pressionado vários países, incluindo Portugal, a excluírem a Huawei na construção de infraestruturas para redes de quinta geração .
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O presidente da Huawei, Liang Hua, disse esta sexta-feira que não "viu ainda mudanças", depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter prometido desbloquear a exportação de tecnologia chave para o grupo chinês das telecomunicações.
A decisão "injusta" de colocar o maior fabricante de equipamentos de rede na lista negra do Departamento de Comércio norte-americano, restringindo as vendas ao grupo, está a prejudicar os fornecedores norte-americanos e clientes da Huawei em todo o mundo, afirmou Liang Hua, em conferência de imprensa.
Washington tem pressionado vários países, incluindo Portugal, a excluírem a Huawei na construção de infraestruturas para redes de quinta geração (5G), a Internet do futuro, acusando a empresa de estar sujeita a cooperar com a espionagem chinesa.
Em maio passado, o Governo norte-americano emitiu uma ordem executiva que exige às empresas do país que obtenham licença para vender tecnologia crítica à Huawei, num golpe que se pode revelar fatal para o grupo.
A decisão surge num contexto de guerra comercial entre Pequim e Washington, com os governos das duas maiores economias do mundo a imporem taxas alfandegárias adicionais sobre centenas de milhares de milhões de dólares das exportações de cada um.
Após um encontro entre os líderes da China e EUA, Xi Jinping e Donald Trump, em junho passado, os dois países anunciaram um período de tréguas, visando chegar a um acordo.
Trump prometeu então levantar a interdição sobre as vendas à Huawei, mas Liang afirmou que "até à data", a empresa "não viu mudanças tangíveis".
"Julgamos que a nossa empresa deve ser completamente retirada da lista negra", afirmou.
O presidente da Huawei afirmou ainda que, apesar daquelas restrições, as receitas do grupo aumentaram no primeiro semestre do ano, sem detalhar números.
As restrições nas vendas ao grupo constituem também um golpe para os fornecedores norte-americanos de chips e outras tecnologias, já que a Huawei é um dos maiores clientes.
Liang disse que a Huawei está decidida a responder à possível perda de acesso ao sistema operacional Android, da norte-americana Google.
O grupo desenvolveu o seu próprio sistema operacional, o Hongmeng, mas até agora não o utilizou em nenhum dos seus telemóveis.
"O sistema operacional e o ecossistema Android ainda são a nossa primeira escolha", disse Liang.
"É claro que, se os EUA não nos permitirem usá-los, poderemos, no futuro, desenvolver o nosso próprio Hongmeng como sistema operacional? Ainda não decidimos", apontou.
A Huawei também está a desenvolver os seus próprios chips e outras tecnologias chave, o que reduziria as compras de componentes fabricados nos EUA e ajudaria a proteger a empresa contra possíveis retaliações de Washington.
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