Entidade já conseguiu fechar 93% dos quatro mil buracos deixados" pelo fim dos negócios com os EUA.
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A chinesa Huawei encontrou no Japão, Coreia do Sul e Europa fornecedores alternativos para as componentes tecnológicas que comprava aos Estados Unidos para equipamentos de quinta geração (5G), após ter sido colocada numa 'lista negra' pela administração norte-americana.
"Em meados de maio, os Estados Unidos puseram a Huawei numa 'lista negra'. Isso teve um impacto enorme para nós e para o nosso negócio porque tivemos de repensar toda a estrutura que incluía os fornecedores norte-americanos no plano A, para uma versão B, sem fabricantes norte-americanos", declarou o vice-presidente do departamento de comunicação corporativa da tecnológica, Karl Song Kai.
Falando durante uma visita de um grupo de jornalistas internacionais à sede da empresa, em Shenzhen, na China, o responsável destacou que "a Huawei está a trabalhar há vários meses e a mobilizar uma grande equipa de investigação [...] para responder a este desastre natural e para criar um plano B".
Assim, até ao momento, "a Huawei já conseguiu fechar 93% dos 4.000 buracos deixados" pelo fim dos negócios com os Estados Unidos, precisou Karl Song Kai, garantindo que, por isso, "não haverá um grande impacto" para a empresa com a entrada em vigor das limitações norte-americanas.
De acordo com o responsável, em causa estão produtos de inovação para 5G e transmissores de fibra ótica, para os quais a companhia encontrou fornecedores alternativos, principalmente no Japão, Coreia do Sul e países europeus, entre outros.
"Já temos as nossas soluções sem componentes norte-americanos", realçou.
Os Estados Unidos têm vindo a acusar a chinesa Huawei de ser uma ameaça à segurança nacional, alegando que utiliza equipamentos para espionagem, o que a tecnológica rejeita.
Em maio deste ano, decidiram banir a Huawei do mercado norte-americano, colocando-a numa 'lista negra' que limita os seus negócios no país.
A administração norte-americana criou, também nessa altura, isenções temporárias para determinadas empresas norte-americanas que negoceiam com o grupo chinês, permitindo-lhes vender alguns produtos ou mudar de fornecedores durante esse período.
Estas isenções têm vindo a ser prorrogadas, estando agora prevista para meados de fevereiro uma decisão final sobre a entrada em vigor das limitações.
Instando pela Lusa a classificar estas medidas, Karl Song Kai falou numa "abordagem irracional" do Presidente dos EUA, Donald Trump.
"Nunca sabem de que tipo de equipamentos estão a falar. Fui presidente executivo nos Estados Unidos [até ao início deste ano] e, por vezes, questionava se a administração, os senadores ou os congressistas sabiam a cor dos nossos equipamentos 5G, se são pretos, brancos ou verdes", indicou o responsável.
E insistiu: "Nem sequer sabem as cores, mas pensam que tudo o que vem da China é mau".
Em causa está "uma paranoia", segundo Karl Song Kai.
Já questionado sobre a disponibilidade da administração norte-americana para reuniões com representantes da tecnológica, o responsável indicou ser "muito difícil conseguir este tipo de encontros".
"No ano passado, tentámos fazer algumas propostas e tentámos entrar em contacto com eles em Washington, mas foi sempre muito difícil, mesmo quando queríamos convidá-los a visitarem na nossa sede [na China]", referiu Karl Song Kai.
Criada em 1987, a Huawei é uma das maiores fornecedoras de equipamentos para telecomunicações do mundo, estando presente em 170 países e regiões com um total de 194 mil funcionários, quase metade engenheiros, e cerca de três mil milhões de clientes.
Em 2018, registou vendas de 721,2 mil milhões de yuan (mais de 90 mil milhões de euros).
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