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Netflix revela ter usado IA em 300 produções este ano

Empresa admitiu que o uso da IA generativa está a "crescer rapidamente" entre os parceiros criativos.

17 de julho de 2026 às 08:44

A Netflix revelou ter usado inteligência artificial (IA) em cerca de 300 projetos este ano, sobretudo em trabalhos de pós-produção, revelou a plataforma audiovisual numa carta enviada aos investidores, após divulgar os resultados do segundo trimestre.

A empresa admitiu que o uso da IA generativa está a "crescer rapidamente" entre os parceiros criativos, abrangendo todo o ciclo de produção, da conceção e pré-visualização até à pós-produção e entrega.

"Recorremos cada vez mais a estas ferramentas porque permitem obter resultados de maior qualidade, em menos tempo e a um custo inferior ao dos métodos tradicionais. Em alguns casos, sem a IA generativa teria sido impossível incluir determinadas cenas e sequências-chave", sublinhou.

Segundo a Netflix, exemplos disso são a produção brasileira 'Brasil 70: A Saga do Tri', a indiana 'Glory' e a norte-americana 'The American Experiment', que usaram a tecnologia para criar sequências complexas, como a ampliação digital de multidões, recriações de batalhas históricas e planos gerais destinados a construir universos visuais.

No seu 'site', a empresa considera que estas ferramentas são uma ajuda valiosa quando usadas de forma transparente e responsável.

"Para apoiar produções à escala mundial e manter-nos alinhados com as melhores práticas, esperamos que todos os nossos parceiros informem a Netflix sobre qualquer uso previsto da IA generativa, sobretudo à medida que surgem novas ferramentas com diferentes capacidades e riscos", acrescentou.

No segundo trimestre, o lucro líquido da Netflix foi de 3,4 mil milhões de dólares (3 mil milhões de euros), abaixo dos 5,3 mil milhões de dólares (4,6 mil milhões de euros) registados no trimestre anterior.

As receitas subiram a 12,6 mil milhões de dólares (11,0 mil milhões de euros), um crescimento homólogo de 13%, em linha com as previsões.

Em março, o gigante do entretenimento adquiriu a produtora InterPositive, especializada em cinema com inteligência artificial e fundada pelo ator e realizador norte-americano Ben Affleck.

Na apresentação dos resultados, o codiretor executivo Ted Sarandos afirmou que "as grandes obras só podem nascer do talento de grandes criadores, e a inteligência artificial não altera essa realidade".

"O que faz é disponibilizar melhores ferramentas para concretizar ideias. Os filmes continuam a ser feitos por pessoas; a IA apenas ajuda a fazê-los melhor", concluiu.

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