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Correio da Manhã

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COMO FALAR NO CHAT

Joviana Benedito, licenciada em Literaturas Românicas, levou dois anos a recolher as expressões e a linguagem utilizada pelos internautas no “chat” da Portugalnet e o saldo está à vista no livro “Que Língu@ no Ch@t da Internet”, edições Colibri.
29 de Dezembro de 2002 às 00:00
“É uma colectânea de textos que visa facilitar diversos estudos sobre futuros caminhos da língua e, também, sobre a evolução cultural e social das novas gerações”, disse a autora ao CM.

A escolha de Joviana Benedito, que privilegiou o “chat”, proporciona, a linguistas, sociólogos e antropólogos uma amostra da cultura pós-moderna, tanto nos seus elementos positivos como nos negativos. Tendo como base o “chat” da Portugalnet, “por ser o mais popular e porque nele entram muitos portugueses espalhados pelo mundo, foi feita uma recolha de frases e símbolos”.

Depois “introduziu-se um critério de selecção, criatividade e adaptação de vocábulos, frases e símbolos organizando-se tudo por ordem alfabética”, esclareceu. “O que se reproduz é uma escolha do que se achou importante e que reflecte cultura, informações gerais de aspectos importantes da vida, posições perante determinados factos que vão do futebol à política, à sexualidade, uso de preservativo, procura de sexo e o que ilustra a parte lúdica que o ‘chat’ tem”, disse.

NET EM LIVRO

O livro “é a forma mais lógica de dar uma panorâmica das relações de sociabilidade, aproximação e amizade que se geram num ‘chat’”, diz a autora. “A conversa aproxima-se muito da oralidade.

Alguns ‘desenhos’ que o teclado permite, ‘atirados’ para a conversa do ‘chat’ são verdadeiras obras de arte e imaginação”.

Exemplos de saudações: “Abreijos e abralhos para todosssss...”. “Bom dia a quem tá no bules”. “O mê amori...?!” “Olá, bô nôte, alguma trintona simpática para teclar com este triste solitário?”

Exemplos de expressões: “Entra aqui cromo!:-”. “Ka treta” “(xatyado mode)”. “Bem vou parkar o tractor, ninguém quer nada comigo!”. “Bokita fechada...”, “bute lá” “buga, as duas jantar?”, “longe taime nou ci”. “Fashabôre de se identificar!” “há uma pessoa aki no xá ke diz ke elas caem todas qd vêem o sofá vermelho...”. A obra está dividida em saudações de entrada, formas de tratamento, vocábulos, frases, símbolos e expressões. “O ‘chat’ é um fenómeno em expansão que nem os detractores vão parar porque é preciso estar atentos à sua evolução, se não deixamos de poder comunicar com as gerações futuras”, rematou.
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