Hoje em dia é cada vez mais difícil passar ao lado do vedetismo que emana dos ‘reality shows’. Os participantes aceitam as regras do jogo, que incluem a violação da sua própria privacidade, mas raramente se apercebem que quem gravita à sua volta também é afectado…
Diz o senso comum que, ao perderem a privacidade, os concorrentes dos ‘reality shows’ estão apenas a conhecer o outro lado da moeda da popularidade. Mas filhos, amigos, pais e namorados nem sempre estão preparados para essa mudança radical.
Ana Maria Lucas sabe o que é sentir na pele a exposição decorrente de um ‘reality show’. Trabalhou com a Endemol Portugal, apoiou a participação do filho Francisco Mendes no ‘Big Brother Famosos’ e participou, ela própria, na ‘Quinta das Celebridades’. Já fora do programa da TVI, defende que a consequência de toda esta exposição é que “a família vê mais televisão”.
“O mediatismo não afecta em nada os laços familiares, antes pelo contrário. Temos a nossa privacidade e ela torna-se, até, um bem mais precioso”, diz, mas ainda assim, admite que faz algumas cedências. “Tenho esta vida desde muito cedo, apesar de não me considerar uma celebridade”, recorda à Correio TV a primeira Miss Portugal. “E o meu filho Francisco também, desde muito bebé, que se habituou a aparecer em revistas. Agora, de facto, houve uma projecção enorme, mas não sinto que tenha mudado muita coisa. Há mais assédio por parte do público, que é sempre muito simpático”, nota.
Apesar do hábito, Miguel, o outro filho de Ana Maria Lucas, foge das câmaras a sete pés: “Ele sempre se recusou a aparecer em público, nunca quis, apesar de estar ligado ao mundo do espectáculo, pois é engenheiro de som. O Miguel diz que, quando aparecer, será por mérito próprio e não por ser filho ou irmão de quem é.”
SURPREENDIDOS
Apanhados de surpresa neste turbilhão de curiosidade, os concorrentes do primeiro ‘Big Brother’, exibido há quatro anos na TVI, ainda hoje questionam o motivo de tanta curiosidade. Depois de terem passado mais de três meses debaixo das câmaras do ‘BB’, as suas vidas mudaram para sempre. Contra a sua vontade, Célia viu a vida do pai ser passada a pente fino e Marta raramente consegue passar em família o aniversário do filho.
E isso deve-se a um fenómeno a que o humorista Herman José se refere como “o efeito da lente de aumentar que tem a televisão”. “Tudo o que se passa na caixinha é ampliado aos olhos do público”, acrescenta.
O apresentador de ‘Herman SIC’, que no seu programa parodia insistentemente os programas da concorrência, recorda que este fenómeno dos ‘reality shows’ mudou o olhar dos telespectadores: “Neste momento, o mercado é que manda e este é muito volúvel. É preciso ter em conta que o público parou para ver a saída do Zé Maria da casa do ‘BB’. Essa gala teve 80 por cento de ‘share’ e foi o programa mais visto da televisão portuguesa”, recorda.
HUMILHAÇÕES VENDEM
O género não é novo e o efeito que cria na sociedade esboça-se desde os anos 60, quando a estação norte-americana CBS estreou ‘Candid Camera’, série de humor em que um actor levava o público às gargalhadas ao mostrar as humilhações sofridas durante o serviço militar.
O que mudou desde então? Muito pouco. O riso continua a ser mais fácil quanto mais humilhante for a exposição do actor e, neste caso, quando a câmara está escondida, a prova é mais fácil de superar.
José Castelo Branco é, neste momento, a figura mais irreverente da ‘Quinta das Celebridades’. Brinca com o seu passado de travesti, desafia as normas ao surgir de fato ‘tigreza’ e botas de salto alto mas, lá no fundo, tem a noção de que a sua performance – que é séria candidata à vitória – penhora a vida dos que lhe estão próximos. Em entrevista ao CM, antes de mergulhar na ‘Quinta’, detectou os efeitos colaterais da sua entrada no jogo. “Só espero que a imprensa deixe em paz o meu filho Guilherme e a minha Betty, por favor”, pediu.
O filho, de 14 anos, recusa aparecer em público, mas lady Betty rejuvenesceu com a entrada do marido na ‘Quinta’ e marca presença em todos os eventos sociais.
CINCO MINUTOS DE FAMA
Sandra, irmã gémea de Paula Coelho (concorrente expulsa do ‘reality show’ no passado domingo), não falhou uma gala e salta em defesa da ex-apresentadora de ‘Nutícias’ sempre que alguém recorda como esta despia a roupa na TV. Queixa-se que “não é fácil ser reconhecida na rua” e diz que prescindia dessa popularidade de “boa vontade”. Mas não é também graças à exposição da irmã que Sandra está a viver os seus cinco minutos de fama?
Mais controverso é o caso de uma jovem americana. No início do ano passado, a estação norte-americana FOX estreou o formato ‘My Big Fat Obnoxious Fiance’, em que se simulava o casamento de uma mulher engraçada com um homem enorme e desajeitado. A concorrente, de nome Randy, pensava que o seu noivo era uma personagem real e, como tal, reagia com horror às suas maneiras rudes.
A polémica surgiu quando a família de Randy descobriu que ela estava noiva e ia casar na TV. O irmão deu murros nas portas, a irmã rompeu em lágrimas e os pais ficaram desolados ao saber que tinham sido enganados a troco de um prémio de um milhão de euros. Finda a tempestade, e desligadas as câmaras, nada voltou a ser como dantes na vida de Randy...
O DRAMA DE MARGARIDA
Margarida Gomes, católica devota, virgem e estudante de Psicologia, viu a sua vida devassada quando as câmaras de ‘O Bar da TV’ (SIC, 2001) puseram no ar uma conversa privada, em que os pais exigiam a sua saída do ‘reality show’. Margarida era um fenómeno no meio dos outros candidatos, mais soltos e ousados e os familiares não estavam dispostos a deixar a sua menina receber “influências nefastas”. Apesar das lágrimas e dos pedidos implorados, Margarida saiu do ‘reality show’ e voltou ao anonimato com a rapidez com que de lá saltou. Desta vez, ganharam os pais.
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