Teresa Guilherme, a ‘mãe’ da novela que pôs a SIC taco-a-taco com a TVI na guerra de audiências, acredita que há “fenómenos colectivos que não se explicam,” mas defende que o sucesso de ‘Floribella’ se deve à sua capacidade de “fazer as pessoas sonhar”. E até se vestiu tal como a personagem central da trama para contar o segredo do êxito!
- ‘Floribella’ é, desde há duas semanas, o programa mais visto da televisão portuguesa, contribuíndo (e muito) para a subida de audiências da SIC, agora numa luta mano a mano com a TVI. Qual o segredo do sucesso?
- Não há segredos para o sucesso. Esta novela tem uma diferença: não despreza a vertente do sonho e da magia. Os adultos acham esse universo naturalíssimo nas crianças mas esquecem-se que eles próprios, por vezes, também acreditam nessas coisas. Com ‘Floribella’ passa-se o mesmo que com as famílias que vão à Disney: os crescidos divertem-se tanto como os miúdos. É esse o segredo. É uma história divertida, tem muitas crianças envolvidas, recorda várias histórias infantis e tem todos os símbolos dos contos de fadas: os corações, o homem ideal, a certeza que, no fim, os bons saem-se bem e os maus são castigados e todas aquelas coisas que nós gostávamos que acontecessem na vida real.
- A escolha de ‘Floribella’ teve como objectivo oferecer uma alternativa?
- Não deixou de ser propositado. Talvez por ‘Morangos com Açúcar’ estar no ar há muito tempo, as pessoas deram-nos o benefício da dúvida. É pena terem de escolher entre uma e outra... mas é a vida! Mas também não gosto de deitar foguetes antes do tempo: resta-nos ver o que acontece quando as aulas recomeçarem.
- Haverá mudanças na ‘rentrée’?
- A novela seguirá o seu curso normal independentemente do regresso às aulas. Haverá saídas e entradas no elenco (não posso dizer quais!) mas é a evolução normal da história.
- As crianças são fáceis de conquistar?
- Não há público mais migratório que as crianças e os adolescentes, que estão sempre ansiosos por coisas novas. Acontece que os mais novos engraçaram com a ‘Floribella’ e os mais velhos foram arrastados.
- A fidelização dos adultos acontece então por ‘contágio’?
- Nada dá mais prazer aos pais do que ver os filhos entusiasmados com alguma coisa. Ainda por cima, tratando-se de um produto que os miúdos podem ver à vontade. Depois, não é uma série que se veja contrariado, pelo contrário. No entanto, acho que nunca se consegue explicar bem as grandes paixões colectivas. Esta foi a primeira novela que vi e que quis comprar. Acho que estas coisas não acontecem por acaso. Há programas que têm a mão de Deus e este é um deles. Em ‘Floribella’ tem havido uma série de coincidências felizes: a Luciana Abreu caiu-nos do céu, o elenco dá-se todo muito bem e não lhes noto desgaste algum, desde o ano passado que se usam saias rodadas com flores (e não têm nada a ver com a novela) e até o centésimo episódio coincidiu com o esperado primeiro beijo entre a Flor e o Frederico. Isso, para mim, são sinais de Deus.
- Neste momento vão para o ar seis episódios por dia, sendo só um original. Não teme o desgaste?
- Isso foi uma decisão do Francisco Penim [director de Programas da SIC]. Não quero nem vou pronunciar-me sobre isso.
- Além das roupas e do CD, agora há também um concurso para jovens cantores e, em breve, um ‘site’ oficial de fãs. A palavra de ordem é diversificar?
- A intenção é aproveitar o fenómeno ao máximo, até porque neste momento ‘Floribella’ é uma das nossas maiores armas. Mas não se deve exagerar. São conteúdos diferentes: uma coisa é aquilo que vai para o ar, outra é o que acontece à parte e que serve para aproximar as pessoas da própria novela.
- Sendo uma adaptação de um original argentino, quais são os limites para as alterações na versão portuguesa?
- Pode mexer-se mas as mudanças têm de lhes ser comunicadas. Se a opção deles fizer parte de uma estratégia que não se reflecte muito no futuro da história, deixam-nos alterar. Mas se for algo com implicações, não pode ser. Por exemplo, há uma personagem, de que todos gostamos muito, que vai desaparecer. Nós preferíamos mantê-la mas não deixam, porque isso iria alterar a função da novela. Já a saída do Diogo Morgado foi uma decisão nossa, porque precisávamos dele para outra novela. O Pascoal, o dono do café, é uma personagem que só existe em Portugal, porque tínhamos necessidade de concentrar os encontros entre os miúdos num único espaço.
- Trocam experiências com a produção brasileira?
- Temos uma óptima relação com os brasileiros e por vezes recorremos a eles para saber que solução deram a um problema. Por exemplo: daqui a largos episódios vai haver uma separação da banda. Não estou de acordo com a separação, porque acho que tira força ao grupo. A primeira coisa que fizemos foi ligar aos brasileiros para saber o que tinham feito.
- São culturas muito parecidas...
- Muito. Tratando-se de uma adaptação, essas nuances tornam-se ainda mais evidentes. Uma cinderela é bem-vinda em qualquer cultura.
- Os finais serão todos diferentes...
- Está tudo em aberto, mas já há várias ideias em cima da mesa.
- Como se sente de volta à SIC, numa fase em que se dedica só à produção?
- Muito bem. Sou essencialmente produtora. No início da minha carreira apresentei só um programa produzido por outros (‘O Labirinto’), e, mais recentemente, o ‘Big Brother’ na TVI. Depois de fazer o ‘Programa do Além’ achei que já não ia haver mais produções que tivesse interesse em apresentar. Mas sou uma pessoa inquieta. Amanhã posso acordar com vontade de apresentar um programa.
- Já conseguiu tirar férias este ano?
- Não, nem tinha ideia de tirar. O meu marido, o Henrique, é que já começa a ficar um bocado chateado, até porque este ano tem sido de loucos. Por isso vou tirar 11 dias de férias. Estou um bocado cansada e preciso de lhe dar a atenção que ele merece. Mas não consigo estar 11 dias sem fazer nada: levo sempre 400 guiões para ler, 200 DVD para ver... Não me custa nada! Se calhar porque tenho mais energia que a maioria das pessoas. O Miguel Falabella até me chama um ‘super-rocket’!
- O que faz para ter tanta energia?
- Não fumo, tento comer bem, dormir e fazer exercício quatro vezes por semana com uma ‘personal trainer’ que me tira literalmente da cama. Mas a melhor forma de lidar com o cansaço é o entusiasmo: ter paixão por aquilo que fazemos e nunca termos pena de nós próprios.
ENQUANTO LIDERA AS AUDIÊNCIAS DA TV NACIONAL
'FLORIBELLA' ESTÁ PARA DAR E DURAR
“‘Floribella’ ainda só está a meio. É muito cedo para pensar numa data para o final”, garante a produtora. Confessando-se “cansada”, por “todos insistirem em saber quando será o derradeiro episódio da trama”, Teresa Guilherme faz questão de lembrar que “não se deve ter pressa para acabar com as coisas que são verdadeiramente boas”.
Durante a temporada de Verão, a novela da SIC tem sido líder de audiências e, na verdade, durante a última semana foi mesmo o programa mais visto da televisão portuguesa (com uma audiência de 14,9 por cento), ultrapassando mesmo as novelas da TVI, habituais líderes em horário nobre.
SIC PROMETE POLÉMICA COM CENAS DE SEXO
'DESEJO' SERÁ UMA NOVELA CRUA
Teresa Guilherme já prepara a nova ficção da SIC. “‘Desejo’ será bem mais atrevida, e terá mesmo cenas de sexo... É uma novela crua, que retrata o dia-a-dia de alguns casais. Na trama, entendimento/desentendimento sexual pesa na história e isso não será ignorado. Se um homem trair a mulher e isso for interessante para a narrativa, a cena não se vai ficar pelo beijo.
O sexo não vai ser escondido, mas não será gratuito. Pretende-se mostrar a vida tal como ela é”, diz. Sobre as audiências, “obviamente que as cenas escaldantes poderão trazer público, mas as pessoas também não vão ver nada extraordinário. Pode haver uma maminha aqui, um rabiosque ali, mas não é por aí que vai vender.”
Nasceu numa família de artistas (filha dos fadistas Lídia Ribeiro e Luís Guilherme, enteada de Tony de Matos) e, por isso, desenvolveu cedo o ‘bichinho’ da TV. Produziu o seu primeiro programa aos 23 anos para a RDP (‘Nozes e Vozes’) e, desde então, já passou pelos três canais nacionais, nos quais também apresentou.
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