page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Movimento de Mulheres apresenta queixa contra programa da TVI que abordou violação de menor

Para o MDM, declarações relativizam a centralidade jurídica e ética do consentimento e introduzem ambiguidade em torno de uma recusa verbal expressa.

15 de abril de 2026 às 20:37

O Movimento Democrático de Mulheres apresentou uma queixa à Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género e à Entidade Reguladora para a Comunicação Social contra conteúdos emitidos num programa da TVI sobre a violação de uma menor. 

Segundo uma nota do Movimento Democrático de Mulheres (MDM), em causa estão conteúdos difundidos na quarta-feira no programa "Dois às 10", de Cristina Ferreira e Cláudio Ramos, e a forma como foi abordado o caso da violação de uma menor.

Para o MDM, foram "proferidas afirmações que introduzem ambiguidades inaceitáveis sobre o conceito de consentimento, designadamente ao sugerir que, em contexto de 'adrenalina', uma recusa expressa poderia não ser entendida como um limite inequívoco".

No programa, acrescenta o movimento, ao abordar um crime de natureza sexual "foram proferidos comentários que sugerem que, em contexto de 'adrenalina, um 'não' pode não ser percecionado como limite claro, chegando a ser dito que 'a meio é quase impossível parar'".

Para o MDM, estas declarações relativizam a centralidade jurídica e ética do consentimento, introduzem ambiguidade em torno de uma recusa verbal expressa e favorecem discursos de culpabilização da vítima e de desresponsabilização do agressor.

O MDM afirma que este tipo de construção contribui para a banalização da violência sexual, para a revitimização e para a erosão da consciência pública sobre o significado jurídico e humano do consentimento".

"Acresce que tal abordagem ignora um elemento essencial: por detrás de cada situação existe uma pessoa concreta, marcada pelo medo, pela dor e por consequências que ultrapassam o momento da violência, sendo a qualidade de uma sociedade também aferida pela forma como protege, escuta e responde a quem foi vítima", sublinha.

O movimento vinca que num Estado de direito democrático não é admissível que conteúdos televisivos de grande alcance social reproduzam ou amplifiquem mensagens que, direta ou indiretamente, enfraquecem a reprovação social da violação ou transferem para a vítima o ónus de dever ter sido "mais clara", "mais prudente" ou "mais percetível" no seu direito de recusa.

Na queixa apresentada, o MDM lembra ainda que o Guia de Boas Práticas dos Órgãos de Comunicação Social na Prevenção e Combate à Violência contra as Mulheres e Violência Doméstica, promovido pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), recomenda expressamente que os media evitem discursos que culpabilizam vítimas, desculpabilizam agressores ou banalizam a violência de género.

O MDM invoca também uma deliberação da ERC em que esta entidade reguladora reconhece que declarações que transferem responsabilidade para as vítimas de violência têm impacto negativo na forma como a sociedade apreende os crimes e contribuem para a revitimização.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Vidas

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8