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MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

Sérgio Figueiredo andou a promover nas montanhas do Nepal o canal que agora se afunda em Portugal

Conta Lá soma várias dividas, cinco meses depois de ter arrancado com as suas emissões regulares.

15 de maio de 2026 às 19:54

Com a proposta de ser um novo canal de televisão português focado na proximidade e no "país real", o Conta Lá arrancou com as suas emissões regulares em dezembro do ano passado, mas o projeto não tem tido vida fácil, somando dividas atrás de dívidas já na ordem das muitas centenas de milhares de euros. O canal foi uma forte aposta pessoal e profissional de Sérgio Figueiredo, antigo diretor do Diário Económico, do Jornal de Negócios e da TVI, que é a segunda figura da estrutura, atrás de Maurício Ribeiro, que detém a maioria da capital.

A provar o empenho e o entusiasmo de Sérgio Figueiredo com o seu novo projeto está uma fotografia publicada pelo próprio, em tempos, nos Himalaias, ainda antes do canal arrancar oficialmente a 11 de dezembro. "Com Conta Lá! Sou Imbatível" lia-se na legenda de uma fotografia em que o agora presidente da Comissão Executiva da estação surgia com um pequeno cartaz e uma t-shirt com o nome do canal. 

Sérgio Figueiredo promove Conta Lá nas montanhas do Nepal
Sérgio Figueiredo promove Conta Lá nas montanhas do Nepal

As dívidas do Conta Lá começaram a vir a público recentemente. O 24 horas falava no início da semana em calotes a fornecedores e funcionários. Entre as empresas visadas estariam algumas de equipamentos técnicos. O canal abandonou entretanto o espaço que ocupava desde Outubro no Arena Liga Portugal, no Porto, sem nunca ter pago renda e deixando um calote de milhares de euros à Liga da Clubes, dona do edifício, conforme o CM noticiou esta sexta-feira. Da mesma  forma, o canal terá também abandonado o espaço que ocupava em Lisboa, deixando rendas por pagar. 

O CM tentou obter uma reação junto de Maurício Ribeiro mas sem sucesso. Já Sérgio Figueiredo enviou à nossa redação um documento interno que fez chegar a toda a equipa do Conta Lá sobre as recentes notícias. Nele, e visando diretamente o 24 Horas (que acusa Sérgio Figueiredo de passear-se "regaladamente pelas montanhas do Nepal" enquanto "os trabalhadores desesperam pelos vencimentos"), o atual presidente da Comissão Executiva do canal, fala em "assassínio de carácter", em "difamação inqualificável e indesculpável", em "mentira descarada" e "sensação de asco". "Nada nesta nova 'notícia' bate certo: a dívida nuns parágrafos é de 2 milhões, noutros é de 5 – na realidade não chega nem a metade do que é escrito. Aqui especificaria um pouco mais, e falaria do IVA por entrar e outros", lê-se.

Sérgio Figueiredo admite "dificuldades de tesouraria, normais numa start-up" mas garante que os salários estão em ordem. Sem nunca se referir ao valor das dívidas, garante que a "força que diariamente revigora" o projeto chega "das dezenas de investidores que, como outras dezenas de clientes, acreditam que este projeto é indispensável para o País". Assegura ainda que "o Conta Lá vai defender-se, cível e criminalmente, até às últimas consequências e nos locais que a Democracia instituiu como próprios para se fazer a justiça entre os homens". 

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