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Eric Dane deixou carta às filhas com quatro conselhos para a vida

Estrela das séries ‘anatomia de grey’ e ‘Euphoria morreu aos 53 anos vítima de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).

01 de março de 2026 às 11:15

O ator Eric Dane, conhecido pelo seu desempenho em séries como ‘Anatomia de Grey’ e “Euphoria”, morreu no passado dia 19 de fevereiro, aos 53 anos, dez meses depois de ter sido diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). No mesmo dia, a Netflix lançou ‘Famous Last Words: Eric Dane’, uma entrevista que o artista gravou para ser exibida após a sua morte, onde fala da sua luta contra a doença debilitante e revela o conteúdo de uma carta que escreveu para as filhas, Billie, de 15 anos, e Georgia, de 14, ambas fruto da sua relação com a também atriz Rebecca Gayheart.

A divulgação da entrevista póstuma e da derradeira mensagem do ator às filhas emocionaram fãs e colegas de trabalho, que prestaram a sua sentida homenagem nas redes sociais. “Billie e Georgia, essas palavras são para vocês. Eu tentei. Tropecei algumas vezes, mas tentei. No geral, divertimo-nos muito, não?”, começa por escrever. “Quero dizer-vos quatro coisas que aprendi com esta doença e espero que vocês não apenas me ouçam, mas que me escutem. Primeiro: vivam agora, agora mesmo, no presente. É difícil, mas eu aprendi a fazer isso”, continua, enumerando mais três conselhos para as jovens: “Apaixonem-se. Não necessariamente por uma pessoa, mas apaixonem-se por algo”, “escolham os vossos amigos com sabedoria” e “lutem com cada fibra do vosso ser e com dignidade. Nunca desistam.”

E conclui: “Billie e Georgia, vocês são meu coração, meu tudo. Boa noite. Amo vocês. Essas são minhas últimas palavras.”

Leia aqui a carta na íntegra:

“Billie e Georgia, essas palavras são para vocês. Eu tentei. Tropecei algumas vezaes, mas tentei. No geral, divertimo-nos muito, não? Lembro-me de todo o tempo que passámos na praia, vocês as duas, eu e a vossa mãe em Malibu, Santa Monica, Havai, México… Vejo-vos agora, a brincar no oceano durante horas, minhas bebés aquáticas. Aqueles dias, perdoem o trocadilho, foram o paraíso.

Quero dizer-vos quatro coisas que aprendi com esta doença e espero que vocês não apenas me ouçam, mas que me escutem. Primeiro: vivam agora, agora mesmo, no presente. É difícil, mas eu aprendi a fazer isso. Por anos, eu vagueava mentalmente, perdido na minha cabeça por grandes períodos de tempo, a chafurdar em preocupação e autopiedade, vergonha e dúvidas. Repassei decisões, duvidei de mim mesmo: ‘deveria ter feito isso’, ‘nunca deveria ter feito aquilo’. Chega. Por pura sobrevivência, sou forçado a ficar no presente. Mas não quero estar em nenhum outro lugar. O presente contém arrependimentos, o futuro permanece desconhecido, então vocês precisam viver agora. O presente é tudo o que vocês têm. Valorizem, apreciem cada momento.

Em segundo lugar, apaixonem-se. Não necessariamente com por uma pessoa, apesar de eu recomendar isso também. Mas apaixonem-se por algo. Encontrem a vossa paixão, a vossa alegria. Encontrem a coisa que vos faça querer levantar de manhã. Apaixonei-me pela primeira vez quando tinha a vossaidade, apaixonei-me pela representação. Esse amor eventualmente fez-me suportar as minhas horas, dias e anos mais sombrios. Ainda amo o meu trabalho, ainda anseio por ele, ainda quero ficar à frente das câmeras e interpretar o meu papel. O meu trabalho não me define, mas deixa-me empolgado. Encontrem algo que vos empolgue. Encontrem o vosso caminho, o vosso propósito, o vosso sonho, e então mergulhe. Mergulhe de verdade.

Em terceiro, escolham os vossos amigos com sabedoria. Encontrem as vossas pessoas, permitam que elas vose encontrem, e então entreguem-se a elas. O melhor delas vai retribuir-vos. Sem julgamentos, sem condições, sem fazer perguntas. Sou muito grato pelos familiares e amigos mais próximos. Não consigo fazer as pequenas coisas que fazia. Não consigo conduzir pela cidade, ir ao ginásio, tomar um café, passear. Aprendi a abraçar as alternativas: os meus amigos vêm até a mim, comemos juntos, assistimos a um jogo, ouvimos música… Eles não fazem nada especial, apenas aparecem. Isso é algo grande, apenas apareçam. E amem os vossos amigos com tudo o que têm. Apoiem-se neles. Eles vão vos entreter, guiar, ajudar, apoiar e alguns vão vos salvar.

Por fim, lutem com cada fibra do vosso ser e com dignidade. Quando vocês encaram desafios, de saúde ou qualquer outro, lutem. Nunca desistam. Lutem até ao último suspiro. Esta doença está dominar o meu corpo lentamente, mas nunca vai levar o meu espírito. Vocês duas são pessoas diferentes, mas ambas são fortes e resilientes. Vocês herdaram a resiliência de mim, esse é meu superpoder. Se me derrubarem, eu levanto-me e continuo a voltar. Levanto-me de novo e de novo. Mark diz que eu sou como um gato, exceto que eles têm nove vidas e eu estou na 15ª, facilmente. Então quando o inesperado vos atingir – e vai, porque isso é a vida –, lutem e encarem com honestidade, integridade e graça, mesmo se parecer intransponível.

Espero ter demonstrado que vocês conseguem encarar qualquer coisa. Vocês conseguem encarar o fim de vossos dias, vocês conseguem encarar o inferno com dignidade. Lutem, miúdas, e mantenham a cabeça erguida. Billie e Georgia, vocês são o meu coração, o meu tudo. Amo-vos. Essas são minhas últimas palavras”.

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