Leonel Vieira diz que as cenas escaldantes não são uma fórmula que garanta o sucesso de um filme.
Leonel Vieira diz que as cenas escaldantes não são uma fórmula que garanta o sucesso de um filme. O realizador considera que o cinema em Portugal não está bem, mas acredita que vai melhorar devido à nova forma de financiamento.
Correio da Manhã - A beleza é importante numa actriz?
- Nem sempre, mas considero que Portugal precisa dela. As telenovelas começaram a fazer o recrutamento de actrizes bonitas. Aparecem actrizes lindas, gostosas, com corpos fantásticos. O que ainda não se fez foi a triagem da actriz bonita com supertalento. Nos actores já temos isso, mas não digo nomes.
- Hoje parece que qualquer figura pública pode ser actor ou actriz...
- É verdade que hoje a televisão só chama os jovens por serem bonitos. O cinema é mais exigente, mas também não caio na velha escola porque, no passado, o cinema português não tinha gente bonita. E a verdade é que precisa dessa gente.
- É fundamental haver sexo?
- Não. É fundamental haver sexo se a história tiver que ver com isso. Posso dar vários exemplos de filmes que tinham sexo e não venderam nada. Não existem fórmulas. Existe, isso sim, vontade de comunicar para muita gente. E isso não é uma fórmula, é uma atitude.
- Como vai o cinema em Portugal?
- Não acho que o cinema português esteja bem, sobretudo no que respeita a regras de financiamento. Em Portugal nunca se deu atenção ao cinema como noutros países. Por exemplo, em França, Inglaterra, Espanha, Itália e Alemanha, há políticas fortes para o cinema.
- O que está a falhar?
- Deveríamos ter uma regulamentação do audiovisual. Num país civilizado, quando o Estado atribui licenças para canais de televisão cria contrapartidas para a indústria audiovisual. Mas o cinema vai melhorar em Portugal graças à nova forma de financiamento que é o FICA (Fundo de Investimento para o Cinema e o Audiovisual). É uma arma que começa a funcionar. Para atingir a qualidade é necessário produzir mais filmes.
- Em que projectos está envolvido?
- Estou a fazer o lançamento do filme ‘Budapeste', baseado no livro do mesmo nome, de Chico Buarque, e realizado por Walter Carvalho. Pela parte portuguesa participam dois grandes actores de gerações diferentes: Nicolau Breyner e Ivo Canelas. Estou ainda envolvido no filme ‘A Montanha', que é realizado por Vicente Ferraz. Além disso, estou a produzir, em parceria com Espanha, o filme ‘Sexo dos Anjos'. Acabámos, entretanto, a rodagem em Barcelona de uma grande produção sobre a I Guerra Mundial.
- Escolhe os actores pela experiência ou arrisca em desconhecidos?
- Arrisco num desconhecido, mas hoje tenho um grupo de actores de quem gosto muito e que me fascinam.
"NÃO ME APAIXONO COM FACILIDADE"
- Como nasceu o gosto pelo cinema?
- A minha primeira paixão pelo cinema, que entretanto ficou adormecida, aconteceu aos sete anos, quando assisti pela primeira vez a uma rodagem de um filme, perto da minha escola. Chamava-se ‘A Guerra de Mirandum'. Despertei para o cinema em Coimbra, durante o período que estive em tratamento por motivos de saúde. Comecei a ir mais ao cinema e, aos 15 anos, escrevi num bilhete de cinema: "Prometo a mim próprio que um dia vou ser realizador de cinema."
- O sucesso é importante para si?
- Não para mim, mas para os filmes. O retorno dos filmes é o meu retorno.
- É um homem de paixões? Apaixona-se facilmente? É boémio?
- Sou um homem de paixões, mas não me apaixono facilmente. Na escola, era boémio, mas agora sou pouco.
- Como vai de amores?
- Não tenho ninguém.
"CASA PIA É DEMASIADO POLÉMICO"
- À semelhança do ‘Ballet Rose', o processo Casa Pia também poderia dar um bom argumento?
- Qualquer ideia pode dar um bom filme, dependendo da qualidade do guião. Mas o processo Casa Pia é demasiado polémico.
- E o polémico não vende?
- Não. Ter um tema polémico nas mãos tem o apelo mediático, mas não significa que se tenha um filme bem-sucedido.
- Nos seus filmes, tem a preocupação de passar uma mensagem?
- Os meus filmes não são veículos de reivindicação social. Têm uma mensagem mas, acima de tudo, o que eu procuro fazer é cinema, histórias que seduzam plateias.
- Um realizador que ache genial?
- Martin Scorcese.
- Uma actriz que admire?
- Meryl Streep.
PERFIL
Leonel Vieira nasceu em Miranda do Douro há 42 anos. Começou por estudar Design, História de Arte e Pintura e ingressou depois no Curso de Cinema Escuela Superior de Artes e Espectáculos TAI, em Madrid. Foi casado com a apresentadora Marta Leite Castro, de quem tem uma filha, Maria Emília, de cinco anos.
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