Sem protagonismo no partido, Dina Nunes Ventura é o pilar do líder do Chega, mas não foi um caminho desprovido de sacríficos.
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Portugal decidiu este domingo, 18 de janeiro, que a segunda volta das presidenciais será disputada entre António José Seguro e André Ventura. Ao lado do líder do Chega esteva uma presença constante, embora cada vez mais resguardada: Dina Nunes Ventura, a mulher com quem o líder do Chega é casado desde 2016 e que tem acompanhado o crescimento do marido, mesmo quando isso significou abdicar da sua própria vida pessoal.
Quando Ventura fundou o Chega, em 2019, Dina assumiu um papel central nos bastidores do partido. Fisioterapeuta de crianças num hospital de Lisboa há mais de uma década, transformou-se numa espécie de braço direito do então recém-lançado político, marcando presença em eventos, jantares, entrevistas e momentos familiares partilhados nas redes sociais. "É normal o André querer ter a mulher ao seu lado, sendo a família uma das bandeiras mais importantes do partido. É uma das componentes católicas conservadoras que o André quer reforçar", explicava na altura uma fonte à revista 'Sábado'.
Mas, à medida que o Chega cresceu e o discurso do partido se radicalizou, os riscos também aumentaram. As ameaças deixaram de ser apenas dirigidas a Ventura e passaram a tocar também à família. A exposição de Dina Nunes Ventura, tornou-se um ponto sensível, obrigando Ventura a protegê-la de forma mais rigorosa. Desde então, a fisioterapeuta só surge publicamente em momentos-chave como noites eleitorais, jantares-comício e ocasiões simbólicas.
Essa mudança acarreta um custo pessoal que o próprio Ventura já admitiu. O casal não tem filhos e adiou esse desejo em nome da segurança. "Ainda não desisti de ter filhos, gostava de ter. Mas vivo sempre com segurança, tenho sempre limitação nas deslocações que faço. Foi uma vida que eu escolhi, mas isso também me leva a pensar nas condições em que estou hoje, se tenho condições para dar aos meus filhos uma vida de segurança, que é o mínimo que eu lhes poderia querer dar e nós hoje temos de ter cuidados de segurança que eu não tinha há dez anos", disse o líder do Chega em entrevista no programa 'Casa Feliz', da SIC. Um adiamento que impacta diretamente Dina, que aceitou colocar a maternidade em espera para acompanhar o marido no percurso político. Dina Nunes Ventura partilha com ele a fé católica.
A história do casal remonta aos tempos universitários. André Ventura vivia numa residência ligada à paróquia de São Nicolau, no coração de Lisboa, e frequentava o café do pai de Dina. A amizade amadureceu discretamente até se transformar em relação, já depois de Ventura ter terminado uma relação anterior. O casamento aconteceu a 18 de junho de 2016, na mesma igreja de São Nicolau.
Hoje, Dina Nunes Ventura leva uma vida que tenta manter o mais normal possível, ainda que condicionada pela visibilidade do marido. Sofreu ameaças verbais de utemtes no local de trabalho por causa das posições políticas do deputado e evita falar com órgãos de comunicação social. Quem a conhece descreve-a como discreta, reservada e dedicada. "A política, deixa-a para o marido; ela é mais de socializar com as pessoas", contou Carina Deus, antiga militante da distrital de Setúbal do Chega.
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