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Cancro do ovário: o 'inimigo' das mulheres na menopausa

Procedimento com maior impacto para o tratamento do cancro do ovário continua a ser a cirurgia.

07 de maio de 2026 às 14:27

Dor abdominal, períodos de obstipação, diarreia e alterações urinárias são sintomas de alerta para uma ida ao médico. Estes sinais, assim como a perda de peso, falta de apetite, cansaço e fraqueza muscular são algumas das queixas frequentemente associadas ao cancro do ovário.

Em Portugal, o diagnóstico deste cancro é feito “numa fase avançada da doença”. Este facto deve-se, essencialmente, a dois fatores. Segundo a oncologista Mafalda Casa-Nova, na maioria das vezes, “quando existem sintomas a doença já não está no ovário, mas sim espalhada pela cavidade abdominal”, isto porque este cancro afeta essencialmente mulheres, na casa dos 60 anos, que já se encontram na menopausa e, por isso, o “ovário já não tem uma função tão importante” motivando o aparecimento de lesões neoplásicas. Além desta razão, soma-se a falta de um rastreio eficaz.

Em entrevista ao Correio da Manhã, a médica Mafalda Casa-Nova adverte ainda para a importância do histórico familiar, fator de risco que aumenta a probabilidade de se verificar esta doença noutras gerações. “Existem mutações genéticas que podem ser herdadas de pais para filhos, dando origem ao que chamamos de síndrome hereditário de cancro da mama ou ovário”, esclarece a especialista. Por isso mesmo, qualquer pessoa que tenha conhecimento de casos de cancro da mama ou do ovário na família deve procurar aconselhamento médico.

Tratamentos

O procedimento com maior impacto para o tratamento do cancro do ovário continua a ser a cirurgia. No entanto, a oncologista explica ao CM que “uma doente com cancro do ovário avançado vai sempre precisar de outros tratamentos, mesmo que essa cirurgia seja completa”. Quimioterapia e terapêuticas de manutenção são os passos que se seguem para curar a doente ou para que o cancro recidive “o mais tarde possível”. Embora “o tratamento do cancro do ovário tenha sofrido uma melhoria muito importante”, Mafalda Casa-Nova sublinha que a estimativa é que “60% das mulheres com um diagnóstico de cancro do ovário avançado possam recidivar e precisar de novos tratamentos a longo prazo”.

Neste momento difícil na vida da mulher, o exercício físico pode ser um bom aliado: melhora a forma como as pessoas toleram os tratamentos e diminui a probabilidade de reaparecimento da doença.

Impacto na vida da mulher

O cancro do ovário pode ter um impacto negativo na saúde mental e bem-estar psicológico da doente. As mudanças físicas associadas à doença e, consequentemente, à cirurgia e respetivos tratamentos não são fáceis. A atividade sexual da mulher pode ficar comprometida, nomeadamente no pós-cirurgia, e algumas relações conjugais podem ressentir-se.

A oncologista acrescenta que a vida profissional da mulher também poder ser condicionada: "Algumas mulheres deixam de conseguir trabalhar ou, pelo menos, trabalhar da forma como faziam previamente ao diagnóstico".

Para diminuir o risco do cancro do ovário, Mafalda Casa-Nova destaca a importância de manter hábitos de vida saudáveis e de ter uma vigilância ginecológica regular. "Não precisa de ser uma consulta de ginecologia especificamente, pode ser num médico de família. Os centros de saúde têm uma consulta de planeamento familiar", clarifica.

Esta sexta-feira, dia 8 de maio, assinala-se o Dia Mundial do Cancro do Ovário.

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