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Azeites novos postos 'à prova'

Fomos a uma loja de lisboa provar as novidades de 2018/2019.

06 de março de 2019 às 20:00

Em Espanha ou Itália, os azeites mais frescos - da campanha a decorrer - chegam ao mercado em meados de novembro. Em Portugal, com muita sorte (e Esporão à parte) temos azeites novos de agricultores com produções próprias e maioritariamente de variedades nacionais lá para fevereiro.

Em Espanha há festas e festarolas em todo o país a anunciar o azeite novo. Por cá temos um evento em Mirandela e já é muito bom.

Como o tempo é inimigo do azeite, se queremos sentir toda a frescura, a força e o terroir de um azeite deveremos consumi-lo logo a seguir à extração do sumo das azeitonas (outubro, novembro ou dezembro, consoante o ano climático e a regiões).

Apesar da maioria dos produtores indicar como prazo de validade dos seus azeites 24 meses, testes feitos por especialistas indicam que a partir do 13.º mês de vida o azeite começa a ganhar características negativas (ranço), que o atiram para a categoria de azeite virgem e não virgem extra.

E se no lote desse azeite entrar a variedade espanhola Arbequina (plantada no Alentejo em quantidades que nem o Governo português conhece...), as coisas pioram porque tal variedade degrada-se a uma velocidade estonteante.

Seja como for, fomos espreitar uma das melhores lojas de azeites de Lisboa – a Loa, no Restelo – e descobrimos seis azeites da campanha 2018/2019. Com exceção do Cabeço das Nogueiras (tem a variedade Picual e continua a ser um dos mais premiados azeites portugueses), todos os restantes azeites são feitos com variedades nacionais.

Loja Loa

A paixão pela diversidade

Ricardo faria e Andreia Alves abriram em abril de 2017 uma loja de azeites de pequenos produtores portugueses de todas as regiões, porque entendem que são estes que oferecem diversidade e riqueza de sabores.

A Loa fica na Calçada do Galvão, 45 A., Lisboa. Contacto: 966 345 959.

Facetas

Facetas

Novo e medalhado

Este facetas chegou recentemente ao mercado e já se apresenta com uma medalha de ouro entregue por uma entidade francesa. Nada mal.

Daniel Martins é o líder de um projeto que começou quando o seu avô, chegado de África, resolveu investir em olivais e outras culturas agrícolas.

Engenheiro do ambiente de formação, Daniel encontrou na agricultura em sistema de produção biológica um modo de vida.

Este Facetas que vem de olivais de Alfandega da Fé tem os descritores típicos de um azeite de Trás-os-Montes, sendo que as sensações na boca são encantadoras por apontarem para frutos secos e café torrado. Invulgar e desafiante.

Região: Trás-os-Montes

Preço: 11,5 euros

Coroa d’Oliveira

Brincadeira séria

Nuno cardoso é polícia de profissão e, nos seus tempos livres, cuida de um pequeno olival de família, para os lados de Valpaços. Sempre gostou da cultura do azeite e sempre fez aquilo que chamava "de brincadeiras".

Mas, outros produtores com mais tarimba na matéria diziam-lhe que as suas brincadeiras poderiam ser casos mais sérios. Vai daí criou uma marca e hoje, apesar de de só produzir 800 litros de azeite (por enquanto), tem razões para se sentir orgulhoso. Pelo facto de estar marcado pela variedade Madural, este é um azeite muito rico de aromas.

Desconcertante, até. Na boca tem notas mais doces do que uma habitual azeite transmontano.

Região: Trás-os-Montes

Preço: 11 euros

Aposta das conserveiras

Conservas com azeite virgem extra

Os responsáveis da empresa Azor Concha entendem que uma conserva como deve ser exige um azeite de categoria.

Por regra, as conserveiras usam uns azeites manhosos (não todas, é certo) porque não ligam ao assunto e porque as margens do negócio são muito baixas, mas, na Azor Concha, como se investe muito nos peixes, não faria sentido descurar o azeite, de maneira que aqui temos, com o gaiado (o pequeno tunídeo também conhecido como bonito).

Já o produtor Edgar Morais, do azeite Caixeiro, fez uma pasta verde com azeitona da variedade Negrinha de Freixo.

Pasta de azeitona Caixeiro: 4,80 euros

Gaiado com gengibre: 4 euros

Angélica

Bonita homenagem

a história do nascimento deste azeite seria suficiente para vender garrafas (é a homenagem do fotojornalista Gonçalo Rosa da Silva à avó, que foi uma daquelas lutadoras alentejanas num meio acentuadamente masculino).

Mas dá-se o caso de o seu criador selecionar azeitonas de oliveiras centenárias alentejanas para fazer um azeite que é o perfil puro de um produto da DOP Moura.

Acreditamos que, nesta colheita, o azeite estará mais marcado pela Galega do que pela Cordovil. Donde, um azeite mais suave, com notas de ervas e frutos secos. Bom equilíbrio entre as sensações doces e amargas, coisa que servirá bem para finalizar uns peixes no forno.

Região: Alentejo

Preços: 15 euros

Cabeço das Nogueiras

Nunca falha

No mundo do azeite há gente com muita experiência que garante que Alberto Serralha é o técnico de lagar mais competente da nação.

Nós, que nem gostamos muito de afirmações destas, não podemos deixar de aceitar que existe algum fundo de verdade em tal tese, porque o seu Cabeço das Nogueiras é um dos azeites portugueses mais premiados ao longo dos anos. Cá dentro e lá fora.

Nesta garrafa temos uma trilogia fatal: Cobrançosa, Galega (portuguesas) e a espanhola Picual que dá como que um perfume distintivo ao conjunto. Nota de folha de oliveira, mizuna e rama de tomate. Na boca, o picante vem em crescendo. Portanto, uma marca que nunca falha.

Região: Ribatejo

Preço: 9 euros

Olival da Risca

É biodinâmico

Além do conceito biológico, começa a entrar na moda outro ainda mais exigente: o biodinâmico, com certificação e tudo. Com este, não só toda a produção tem de ser biológica como o maneio do olival tem de obedecer a certas regras de acordo com os calendários lunares. Por outro lado, os tratamentos contra pragas e doenças resultam de infusões feitas a partir de certas plantas.

Todo este rigor traduz-se num azeite feito a partir de diferentes variedades e bastante fino e delicado, cheio de ervas aromáticas que se liberta no copo de prova. Na boca sentem-se notas verdes, frescura e um picante bastante firme. Dá muito gozo cheirar e provar este azeite.

Região: Alentejo

Preço: 12 euros

Olmais

Verde por todo o lado

Criador da marca Olmais, Júlio Alves é muito exigente com o trabalho no campo e no lagar, coisa que tem como resultado uma coleção de medalhas em diferentes concursos nacionais e internacionais.

Feito a partir de oliveiras que crescem em modo biológico em Vila Flor, este é um azeite perfeito para mostrar o que é a variedade Cobrançosa, aquela que faz a matriz dos azeites de Trás-os-Montes.

É verde que nunca mais acaba. Casca de amêndoa verde, folha de oliveira verde, espargos e relva acabada de cortar. Na boca temos as mesmas sensações verdes, com muito bom equilíbrio entre amargos e picante. Uma delícia. E está destinado a ganhar um ou outra medalha.

Região: Trás-os-Montes

Preço: 13 euros

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