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Correio da Manhã

Cultura
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A FÚRIA DO MAR TORNADA BELEZA

O mar e a tragédia do Homem face à força da Natureza é um dos aspectos mais interessantes da obra do pintor J.M.W. Turner objecto de uma mostra a inaugurar hoje, às 18h30, na Galeria de Exposições Temporárias do Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
20 de Fevereiro de 2003 às 00:00
A exposição, intitulada “O Mar e a Luz – Aguarelas de Turner na colecção da Tate”, reúne 73 obras, das quais 70 pertencem à galeria britânica Tate e as restantes à Fundação Calouste Gulbenkian (FCG).

As 61 aguarelas, oito gravuras e três pinturas revelam não só a “forte ligação de Turner com o mar como salientam a sua importância como aguarelista”, referiu Manuela Fidalgo, conservadora do núcleo de desenhos da FCG. “Antes de pintor, Turner foi aguarelista, técnica que desenvolveu até ao final da sua vida”, disse a responsável.

“Como curiosidade, refira-se que Turner aproveitava a mesma folha para tratar dois temas que não tinham nada a ver um com o outro”, comentou ainda Manuela Fidalgo, acrescentando que o pintor foi o primeiro a utilizar o papel azul, material usado para embalar produtos alimentares, como o açúcar.

NÚCLEOS CRONOLÓGICOS

De acordo com Luísa Sampaio, conservadora na área de pintura da FCG, a mostra está organizada em 17 núcleos cronológicos, que “proporcionam um olhar sobre o processo criativo” de Turner. Entre os trabalhos de juventude, o célebre Livro de Estudos “Liber Studiorum”, as vistas pitorescas de Inglaterra e País de Gales, os portos de Inglaterra e as paisagens marítimas, destacam-se os óleos “Naufrágio de um cargueiro” (1819) e “Quillebeuf, foz do Sena”(1833) e a aguarela “Plymouth com arco-íris” (1825), pertencentes à colecção Calouste Gulbenkian.

Mestre da pintura paisagística do século XIX, Joseph Mallord William Turner (1775-1851) pintou aguarelas, desenhos e quadros a óleo. Precursor do impressionismo, Turner executou, sobretudo, paisagens históricas de grandeza dramática e temas contemporâneos de dimensão histórica.

Patente até 18 de Maio, a mostra foi concebida por Ian Warrell, conservador do Departamento de Aguarelas da Tate Britain.
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