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Preços "exorbitantes e injustificados" pela arte do Estado

Alexandre Pomar pôs em causa o preço das obras adquiridas para a Colecção de Arte Contemporânea do Estado e questiona comissão responsável pelo programa.

04 de junho de 2026 às 01:30

O crítico de arte Alexandre Pomar pôs em em causa o preço das obras integradas na Coleção de Arte Contemporânea do Estado (CACE), que considera “exorbitante” e discrepante “face ao valor de mercado”. Em declarações ao CM, o filho do pintor Júlio Pomar culpa a Comissão para a Aquisição de Obras do Estado cujo funcionamento considera “muito pouco rigoroso e injustificado”.

A reação de Alexandre Pomar, que começou por fazer eco nas redes sociais, seguiu-se à divulgação do relatório de 2025 da CACE, que efetuou 58 compras de obras de arte contemporânea, num total de 780 mil euros. Pomar falou em “escândalo”, “roubo” e “caso de polícia”, questionando a “relevância” das aquisições e os seus números “empolados”.

“Estranho os 40 mil euros pagos pela obra ‘Festa das Cruzes’, apesar de a considerar a mais qualificada aquisição, e pelas três peças de Pancho Guedes, que não representam bem a sua obra enquanto escultor e pintor", começou por vincar.  Pomar aponta ainda ‘The Tearoom’, um varão de roupa com blusões pendurados, supostamente em segunda ,ão, de João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, vendida pela Galeria Cristina Guerra e que custou ao Estado 79 950. Todavia, frisa que o objetivo das suas palavras não é “apontar o dedo a uma obra específica” mas sim questionar “a lógica destas compras”.

“Aquisições que são feitas por uma comissão arbitrária e autonomeada, sem critério, quando deveriam ser feitas pelos museus. É incompreensível que o Museu do Chiado, por exemplo, não tenha dinheiro para adquirir obras. É o procedimento é que é muito questonável”, realçou. No seu entender, as compras para a CACE “estão a ser feitas como forma de apoio aos artistas e não do ponto de vista do interesse das mesmas para os museus ou para o público”. Afirma ainda que, além das facturas, deveria olhar-se para os vendedores, ou seja “os galeristas”. “É roubo! Pergunto se o júri aprovou estes preços de compra ou se apenas votou as obras”, questionou.

Também a historiadora de arte Raquel Henriques da Silva, antiga diretora do Museu do Chiado e do Instituto Português de Museus, escreveu num artigo de opinião do jornal Público que a CACE, ao dispor de 800 mil euros anuais para aquisições, é “escandalosamente” privilegiada em comparação com os museus e monumentos públicos, “cujo orçamento para compras é de 680 mil euros a dividir por 34”, além de considerar a “atuação” da comissão “carregada de subjetividades”.

Comissão responde diretamente à Ministra

O programa de aquisição de arte contemporânea portuguesa do Estado foi criado em 2019, com a missão de identificar obras de artistas plásticos contemporâneos, privilegiando a criação nacional, e tendo em vista a respetiva integração na CACE, que tem como curadora Sandra Vieira Jürgens. A comissão responde diretamente à ministra da Cultura, Margarida Balseiro, e não à Museus e Monumentos de Portugal. Ainda assim aquela identidade fez saber que “mantém plena confiança no trabalho desenvolvido pela curadora e pelos membros da comissão”, reconhecendo-lhes “rigor, competência técnica e elevado sentido de serviço público” e que " as compras são feitas de acordo com os valores de mercado e não abaixo destes, até porque a função da Comissão é selecionar os artistas e as obras a incorporar e não entrar num processo negocial com os artistas ou representantes".  

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