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Correio da Manhã

Cultura
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Prince, o artista que fez sempre o que quis

Cantor, guitarrista, pianista, dançarino, Prince foi tudo o que sonhou.
José Carlos Marques 21 de Abril de 2016 às 19:56
Prince num concerto em 2010, na Bélgica
Prince num concerto em 2010, na Bélgica FOTO: Dirk Waem / EPA

Nascido Prince Rogers Nelson em Minneapolis, no estado do Minnesota, O mundo conheceu-lhe vários nomes. Houve uma altura da carreira em que até decidiu que passaria a ser designado por um símbolo, The Love Symbol, e quis ser tratado como O Artista Anteriormente Conhecido Como Prince. Morreu esta quinta-feira aos 57 anos, dias depois de ter feito uma aterragem de emergência por se ter sentido mal. No domingo, dia 17, deu um pequeno concerto na sua casa e estúdio de Paisley Park, em Chanhassen para mostrar que estava vivo e de boa saúde. Não estava.

 

Nasceu em 1958 e foi aos sete  anos que compôs a sua primeira canção. Funk Machine, assim lhe chamou.  Filho de Mattie Della e de John Lewis Nelson seguiu a vocação do pai, um músico de jazz que chegou a ter um trio chamado Prince Rogers.

Começou a primeira banda em 1975 com Pepe Willie, marido de uma prima, mas foi a solo que começou a dar nas vistas.  Conseguiu um contrato com a Warner e, em 1978, gravou o primeiro álbum, For You. Reza a lenda que o músico gravou todos os 27 instrumentos que se ouvem no disco. Desde o primeiro momento, Prince fez a música que quis.

O disco seguinte, a que chamou simplesmente Prince, chegou a nº 4 do top da Billboard de R&B. e a 22 no top geral. Why You Wanna Treat Me So Bad? e I Wanna Be Your Lover foram os seus primeiros grandes sucessos.

Ao longo de uma carreira em que gravou 39 discos, Prince tocou vários géneros musicais e compôs hits que ficam para a eternidade. O disco 1999, o seu quinto álbum, lançado em 1982 abriu-lhe as portas do top ten americano. Mas seria o disco seguinte, Purple Rain que lhe traria fama global. A canção que dá nome ao álbum tornou-se um hit instantâneo, assim como When Doves Cry ou Let’s Go Crazy. O disco foi composto para ser banda sonora do filme com o mesmo nome, em Prince também entra como ator.

Um dos seus singles mais bem sucedidos, Kiss, foi retirado do disco de 1985, Arround The World in One Day.

Nos anos 80 e 90, Prince protagonizou uma rivalidade com Michael Jackson pelo trono da música Pop. Mas o músico de Minneapolis, do alto dos seus 1,58m, foi sempre mais imprevisível, lançando discos que, a cada momento, desafiavam os seus fãs.

Com a banda New Power Generation, que formou para gravar e tocar ao vivo em 1991, viveu a fase mais fulgurante da carreira. Lançou hits globais como Cream, Get Off, Sexy MF, My Name is Prince, ou Diamonds & Pearls.

Liberto do contrato com a Warner em 1996, abraçou a liberdade criativa total, mas os seus discos foram, progressivamente perdendo força no mercado. Continuou a lançar álbuns ao longo dos anos, mas com edições limitadas e digressões mais curtas. Atualmente, estava a fazer espetáculos que se limitavam a voz e piano.

Ao longo da carreira, vendeu mais de 100 milhões de álbuns, ganhou sete Grammys, um Óscar e outros prémios como Globos de Ouro, MTV awards, Brit Awards e tantos outros. Figura no Rock n' Roll Hall of Fame desde 2004.

Dois casamentos e  tragédia com um filho

Prince casou por duas vezes. Em 1996 assinou os papéis com Mayte Garcia, cantora da sua banda. Tiveram um filho nesse ano, que morreu uma semana depois de ter nascido. Divorciado em 1999, Prince voltaria a casar em 2001 com a empresária Manuela Testolini. Ele tinha 46 anos, ela 23. A união não durou mais de cinco anos. Prince não voltou a ser pai. Foi apontado como amante de diversas celebridades, mas manteve sempre reserva em relação à sua vida privada.

Com o passar dos anos, tornou-se um homem cada vez mais espiritual. Era Testemunha de Jeová.


Com a morte de Prince, teme-se que fique por realizar um projeto que anunciou no ano passado -  o seu livro de memórias. Em declarações ao Guardian, Prince explicou "O meu 'irmão' Dan [referindo-se ao escritor e jornalista Dan Piepenbring] está a ajudar-me. Ele é um bom crítico e é isso que eu preciso. (…) Estamos a começar desde a minha primeira memória e, com sorte, havemos de chegar ao Superbowl"

Numa entrevista de 2005, Prince explicou o que o entusiasmava: "Transcedência. É isso que tu queres. Quando isso acontece -  Oh Boy!

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