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Spike Lee arrasa vitória de "Green Book": "o árbitro tomou uma má decisão"

Sublinhou que, "se não fosse" por April Reign e o movimento que iniciou há quatro anos, não teria pisado o palco com uma estatueta dourada na mão.
25 de Fevereiro de 2019 às 09:58
Spike Lee
Spike Lee
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O realizador Spike Lee utilizou uma metáfora desportiva para criticar a atribuição do Óscar de melhor filme a "Green Book", dizendo que "o árbitro tomou uma má decisão", no encontro com a imprensa, no final da cerimónia.

Questionado sobre a sua expressão facial quando o prémio foi anunciado, o cineasta disse ter pensado que estava num jogo dos New York Knicks e que o árbitro errou, evitando falar diretamente do filme protagonizado por Viggo Mortensen e Mahershala Ali, que venceu o Óscar de melhor ator secundário.

"Este filme, quer tivéssemos ganhado o melhor filme ou não, vai resistir ao teste do tempo por estar do lado certo da história", disse Spike Lee sobre "BlackkKlansman", que dirigiu, e que esteve nomeado para três estatuetas e venceu a de melhor argumento adaptado.

Este foi o primeiro Óscar na longa carreira do cineasta afro-americano, que escreveu o argumento em conjunto com Charlie Wachtel, David Rabinowitz e Kevin Willmott.

Com um copo de champanhe na mão, que anunciou ser o sexto da noite, o realizador falava nos bastidores da cerimónia dos prémios da Academia, onde vários afro-americanos foram distinguidos.

Sipke Lee sublinhou que, "se não fosse" por April Reign e o movimento que iniciou há quatro anos, #OscarsSoWhite, ele não teria pisado o palco com uma estatueta dourada na mão.

"Abriram a Academia para a tornar mais parecida com a América, mais diversa", disse o cineasta, mencionando que pelo menos três mulheres afro-americanas levaram Óscares para casa na 91.ª edição dos prémios.

Foram quebradas várias barreiras para nomeados afro-americanos nesta edição dos Óscares, com Regina King foi a vencedora da estatueta para melhor atriz secundária em "Se Esta Rua Falasse" e Hannah Beachler foi a primeira afro-americana a vencer o Óscar para melhor direção de arte (cenografia), com o filme "Black Panther", em conjunto com Jay Hart.

Também Ruth E. Carter foi a primeira afro-americana a vencer o Óscar para melhor guarda-roupa e Peter Ramsey tornou-se no primeiro realizador afro-americano a vencer na categoria de melhor filme de animação, com "Spider-Man: Into the Spider-Verse".

A noite também trouxe o Óscar de Melhor Ator Secundário a Mahershala Ali pelo seu papel em "Green Book", filme que venceu três das cinco nomeações que tinha, incluindo Melhor Filme e Melhor Argumento Original.

O ator reconheceu que se não tivesse sido pela sua vitória na mesma categoria, em 2017, por "Moonlight", as portas para este filme poderiam não ter sido abertas. "Simplesmente não estava a receber ofertas desse género", afirmou.
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