Mendes é o cabecilha do ataque ao Sporting em Alcochete

Ex-chefe da claque ficou aliviado quando percebeu que quem o cercava era a polícia, porque temia fação rival da Juve Leo.

08 de junho de 2018 às 01:30
Fernando Mendes Foto: Pedro Simões
Detidos por agressões em Alcochete Foto: Pedro Simões
'Aleluia' Foto: Direitos Reservados
Juve Leo em Fafe Foto: Direitos Reservados
Operação junto à sede da Juve Leo Foto: Direitos Reservados

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Fernando Mendes é mentor e executante do ataque de Alcochete. Quem defende a tese é o Ministério Público, que nos mandados que anteontem levaram à prisão do ex-chefe da Juve Leo pede a aplicação da prisão preventiva para aquele suspeito. A mesma medida de coação é pedida para os outros três presos - inclusivamente Nuno Torres, o condutor do BMW. A procuradora diz que todos cometeram o crime de terrorismo e todos são responsáveis pelos ataques em Alcochete. Mas não exclui a hipótese de ter havido outros mentores do ato criminoso.

Para a investigação, que contou anteontem com a participação da GNR e da PSP, Mendes é um dos cabecilhas que planearam a visita ao campo de treinos, para tirar satisfações devido à má prestação dos jogadores. Fê-lo em conjunto com 'Aleluia', também detido, e Nuno Torres, que preparou a fuga.

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Os quatro suspeitos - foi também preso Joaquim Costa, da Juve Leo - só hoje é que vão começar a ser ouvidos. Foram apenas identificados, durante a tarde de ontem, pelo juiz de instrução.

Entretanto, segundo o Correio da Manhã apurou, quando foi abordado à porta de casa pela polícia, durante a noite de anteontem, Fernando Mendes pensou que se tratava de um ataque rival. Os polícias estavam à paisana e de imediato o ex-chefe da claque ligou para um amigo para que chamasse a PSP. Ao perceber que eram afinal agentes de autoridade, mostrou-se 'descansado'. Fernando Mendes estava com medo dos atuais chefes da claque Juve Leo, que não gostaram da atenção mediática após os incidentes da academia. Bruno de Carvalho também anunciou que retirava o apoio à claque leonina.

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Magistrada defende tese de terrorismo

Cândida Vilar, a procuradora que emitiu os mandados para a detenção dos quatro elementos da Juve Leo, juntou um parecer a defender que se trata de terrorismo. Diz a magistrada que o atual quadro legal permite classificar como organização terrorista um agrupamento de adeptos de uma associação desportiva que se proponham a esbofetear atletas para os intimidar.

"É claro que uma associação dessa natureza não será tão perigosa para os bens jurídicos tutelados como uma organização terrorista de inspiração fundamentalista [Daesh ou Al-Qaeda], mas a amplitude da moldura penal aplicável permitirá fazer as necessárias diferenciações na determinação da pena concreta", esclarece a procuradora, que diz estar-se perante um ato terrorista e não uma organização terrorista.

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"A citada lei admite que haja crime de organização terrorista sem crime de terrorismo e, o que é mais frequente, crime de terrorismo sem organização terrorista [quer seja levado a cabo por autor solitário, quer seja perpetrado por um grupo informal, não vinculado a uma organização no sentido jurídico-penal]. No caso em análise, há simplesmente uma situação de coautoria, que se exprimiu numa decisão conjunta e numa execução conjunta", conclui a procuradora, que volta a imputar o crime de terrorismo aos arguidos agora detidos pelas autoridades policiais.

"Quem manda aqui sou eu!"

Ba Amadu, conhecido por 'Aleluia', fez um vídeo na final da Taça de Portugal, no Estádio do Jamor, em que garantia: "Quem manda aqui sou eu!" A sensação de impunidade levava a que os suspeitos continuassem a vangloriar-se. 

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Preso por estar na posse de tochas

Alano Silva, conhecido por 'Allan', estava na sede da Juve Leo quando foram feitas buscas. Foi também detido pela PSP, depois de terem sido apreendidas três tochas na sede. Não foi ouvido em primeiro interrogatório judicial porque o Ministério Público entendeu que não estava em causa ficar preso.

PORMENORES

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Sabiam onde atacar

Uma das questões levantadas por Rui Patrício foi como é que o grupo sabia onde eram os balneários da equipa principal. Sabiam onde atacar.

Demorou duas horas

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Dizem Patrício e Podence que Bruno de Carvalho demorou duas horas a chegar à academia, embora tivesse sido informado do ataque.

Não houve avisos

Embora existam câmaras de videovigilância em redor da academia, os jogadores e a equipa técnica não foram avisados da aproximação do grupo.

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Não estava na academia

André Geraldes, que habitualmente acompanhava os treinos, não estava, na terça-feira, na academia, durante o ataque. A 'curiosidade' é novamente assinalada pelos jogadores que já deixaram o Sporting.

Bruno diz que morria

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Bruno de Carvalho disse já em várias conferências de imprensa que se estivesse na academia tinham de o matar, antes de chegarem aos jogadores.

Jorge Jesus identificou-o

Jorge Jesus não teve dúvidas em identificar Fernando Mendes como um dos invasores de Alcochete. O ex-chefe da Juve Leo estava de cara descoberta, mas não reagiu quando lhe pediram ajuda.

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Ameaças ao sair da Madeira

Depois de o Sporting falhar a qualificação para a Champions, na Madeira, os atletas foram ameaçados por Fernando Mendes. Disse-lhes que na terça-feira seguinte iria a Alcochete. Cumpriu a ameaça. 

Rui Patrício deixa dúvidas

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Rui Patrício bateu com a porta, mas na carta de rescisão deixou muitas perguntas. Uma delas foi o motivo de Bruno de Carvalho ter antecipado o treino de quarta para terça-feira, dia do ataque.

Solidários com os 23

A Juventude Leonina partilhou, no último sábado, nas redes sociais, a fotografia de um convívio anual realizado em Fafe, em que se mostrava solidária com os 23 detidos no âmbito das diligências policiais que se seguiram ao ataque à academia, no dia 15 de maio. A imagem perfila os participantes no encontro a segurar uma tarja na qual é possível ler as palavras 'Honra e Liberdade 23 #Ao Vosso Lado', numa clara alusão aos 23 atacantes que fizeram parte da invasão a Alcochete e que acabaram por ser presos.

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Lei permite fazer buscas de madrugada

A lei do terrorismo permite fazer buscas  e detenções  já durante a noite. Foi através desse expediente legal que GNR e PSP avançaram anteontem para uma ação conjunta para deter os suspeitos. Os quatro alvos foram apanhados pelas 23h00, todos nas imediações das suas casas.

Operação musculada

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Mais de uma dezena de polícias cercavam ontem a sede da Juve Leo, que se situa já no complexo do estádio, numa operação musculada. O objetivo era evitar qualquer aproximação de membros da Juve Leo, de forma a evitar confrontos. A operação começou já depois da meia-noite.

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