Só a conquista da Liga pode atenuar efeitos da má prestação nas provas da UEFA que tem custos desportivos e financeiros.
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Com a eliminação da Liga Europa, os treinadores de Benfica e FC Porto ficaram ainda mais pressionados na luta pelo título. Com a saída numa fase precoce da segunda competição da UEFA, Bruno Lage e Sérgio Conceição estão obrigados a vencer o campeonato, sob pena de a época ser catalogada como um falhanço a nível desportivo.
O técnico benfiquista, sabe o CM, tem sido questionado internamente pela incapacidade de colocar um plantel valioso a render nas provas europeias. Ainda mais por ter enfrentado equipas de igual valia como o Lyon (foi 2º no grupo dos encarnados na Champions) e agora o Shakhtar (3-3 na Luz e derrota por 1-2 na Ucrânia nos 16 avos de final da Liga Europa).
Quanto a Sérgio Conceição, o afastamento da Liga Europa acentuou o desgaste entre o técnico e a SAD azul-e-branca. Como o CM já tinha noticiado, o treinador sabia da importância de o clube alcançar uma boa prestação europeia para atenuar a grave situação financeira. Na prática, os 9,68 milhões de euros amealhados na Liga Europa ficam longe dos 16,7 milhões orçamentados no início da época. E as receitas que faltam apurar (bilheteira e transmissões televisivas) não asseguram os 7,02 milhões em falta.
A pressão sobre Lage e Conceição para vencerem o campeonato também se deve ao efeito dominó que a classificação desta época terá na próxima. Apesar de ter garantido o 6º lugar no ranking de países da UEFA, Portugal só vai beneficiar dessa posição em 2021/22, com duas equipas diretamente na Champions e outra na 3ª pré-eliminatória.
Em 2020/21, apenas o campeão português tem acesso garantido a uma receita acima dos 40 milhões de euros. Responsáveis de Benfica e FC Porto sabem que o acesso a essa receita pode ditar para que lado cai a balança da supremacia do futebol nacional.
Luís Filipe Cieira exige a dobradinha
O presidente do Benfica assumiu no balneário que a eliminação na Liga Europa frente ao Shakhtar (3-3 na Luz e derrota por 1-2 na Ucrânia) é um "revés", e impôs como meta vencer o campeonato e a Taça de Portugal, apurou o CM. Luís Filipe Vieira exigiu "foco total" para o que falta da época e pediu aos jogadores para evitarem "distrações", nomeadamente as críticas feitas ao plantel. *P.N.S.
Portugal fora dos ‘oitavos’ 41 anos depois
Para encontrar outra época sem nenhuma equipa portuguesa nos oitavos de final das provas europeias é preciso recuar 41 anos, até 1978/79. Esta época termina com Portugal no 6º lugar do ranking da UEFA e quase 85 milhões de euros distribuídos pelos cinco clubes nacionais que participaram na Champions e Liga Europa. Falta somar a receita de bilheteira e de TV.
DEPOIMENTOS
José Calado, antigo jogador: "Sem meios para contratar grandes craques"
"Portugal não tem muitos meios para contratar grandes craques, vive da prata da casa. E quando se gasta dinheiro é preciso saber bem onde se gasta porque não se pode esbanjar. E a polémica fora das quatro linhas não ajuda."
José Guilherme Aguiar, advogado: "Cometem-se erros nas contratações milionárias"
"Temos excelentes jogadores, mas saem todos para equipas estrangeiras com mais dinheiro. É uma estratégia dos clubes, limitada pelos problemas financeiros. E têm-se cometido alguns erros nas contratações milionárias que não correspondem."
Octávio Machado, antigo jogador e treinador: "Se vendemos os melhores jogadores é tudo normal"
"Só a eliminação do Sporting foi anormal. Se vendemos os melhores jogadores e os treinadores portugueses mais credenciados e experientes estão no estrangeiro, temos de assumir que estas eliminações são normais."
"Lenços brancos? Uma ou duas pessoas assoaram-se"
No final do empate (3-3) com o Shakhtar, vários adeptos encarnados assobiaram e mostraram lenços brancos, numa manifestação de insatisfação que tinha como destinatário o treinador Bruno Lage.
"Parece que uma ou duas pessoas estavam a assoar-se e logo se disse que eram lenços brancos. Uma pessoa já nem pode estar constipada no Estádio da Luz, porque ao tirar o lenço já está a querer algo que não foi o que aconteceu", disse esta sexta-feira Alcino António, vice-presidente do Benfica. À BTV, o dirigente assumiu a "infinita tristeza" que tomou conta dos benfiquistas, mas destacou que os jogadores "deram o máximo".
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